Para preservar o Pantanal sul-mato-grossense — considerado a maior planície alagável do planeta — o Governo de Mato Grosso do Sul já investiu aproximadamente R$ 6,1 milhões por meio do Programa de Pagamento por Serviços Ambientais (PSA) Bioma Pantanal. A iniciativa, considerada pioneira no Brasil, incentiva a conservação da vegetação nativa, a proteção da fauna silvestre, a restauração ecológica e o fortalecimento das comunidades tradicionais da região.
Os recursos foram destinados a 13 projetos desenvolvidos por sete organizações não governamentais, dentro do subprograma PSA Brigadas, voltado ao apoio de ações de prevenção e combate a incêndios florestais, além da promoção do desenvolvimento sustentável no bioma.
Entre as entidades contempladas está o Instituto do Homem Pantaneiro (IHP), que recebeu mais de R$ 1,4 milhão para executar três projetos. As iniciativas incluem resgate técnico de animais silvestres, comunicação integrada, manutenção e ampliação do Sistema Pantera na região da Serra do Amolar, além do fortalecimento da brigada Alto Pantanal, que atua na prevenção de incêndios florestais.
Segundo o diretor-presidente do IHP, Ângelo Rabelo, o programa representa um avanço na política ambiental do Estado.
”A iniciativa do governo tem um grande mérito por criar um programa de pagamento de serviços ambientais voltados à proteção do bioma. O programa atende iniciativas como a nossa e de proprietários de fazendas que adotam boas práticas. No nosso caso, conseguimos recursos para fortalecer a brigada que atua na região da Serra do Amolar”, afirmou.
Subprogramas
O PSA Bioma Pantanal abrange toda a porção sul-mato-grossense do bioma e está estruturado em dois eixos:
PSA Conservação e Valorização da Biodiversidade (PSA Conservação)
PSA Prevenção e Combate aos Incêndios Florestais (PSA Brigadas)
De acordo com a coordenadora do programa na Semadesc, Letícia Walter, os contratos atuais têm prazo até o fim de 2026.
”O PSA Bioma Pantanal tem um programa voltado para prevenção e combate a incêndios, que é o ‘Brigadas’, direcionado às ONGs. Há também o ‘Conservação’, voltado a proprietários rurais com áreas de vegetação nativa no Pantanal. A princípio, todos os contratos finalizam em dezembro de 2026 e a previsão é lançar novos editais em 2027”, explicou.
Projetos em diversas regiões do Pantanal
O primeiro edital do PSA Brigadas recebeu 28 inscrições, das quais 17 projetos foram classificados e 13 já contemplados, com valores de até R$ 500 mil cada, financiados pelo Fundo Clima Pantanal.
Os projetos contemplam ações em diferentes regiões do bioma, como:
Nhecolândia
Nabileque
Serra do Amolar
Porto Esperança
Porto Rolon
Curva do Leque
Salobra
As iniciativas abrangem terras indígenas, unidades de conservação e comunidades tradicionais.
Além do IHP, também foram firmados termos de fomento com SOS Pantanal, FUNAR, UCDB, Instituto Tamanduá, ICAs e Associação Onçafari.
”É uma iniciativa de vanguarda, através do Fundo Clima do Pantanal, e estamos comprometidos em transformar essa oportunidade em algo que contribua de maneira efetiva para a proteção do bioma, especialmente na região da Serra do Amolar, que contempla inúmeras comunidades”, destacou Rabelo.
Preservação de 126 mil hectares
Em dezembro de 2025, o Governo de Mato Grosso do Sul consolidou a preservação de 126 mil hectares no Pantanal, por meio do subprograma PSA Conservação, que remunera produtores rurais que mantêm excedentes de vegetação nativa preservados, além das áreas obrigatórias por lei.
Na primeira chamada pública foram recebidas 71 inscrições de propriedades rurais, das quais 45 foram classificadas com base no Índice de Serviços Ambientais (ISA), que avalia critérios como conservação da vegetação, conectividade de habitats e relevância ambiental.
Novo edital aberto
A segunda chamada do PSA Conservação foi publicada nesta semana e busca selecionar novos projetos voltados à mitigação e adaptação às mudanças climáticas, com foco na proteção do Pantanal sul-mato-grossense.
As inscrições podem ser feitas até 6 de abril de 2026, por meio de formulário eletrônico. As propostas serão avaliadas considerando relevância ambiental, impacto positivo para o Pantanal, viabilidade técnica e alinhamento com as políticas públicas estaduais.


