Criado a partir de uma preocupação pessoal com o aumento dos casos de feminicídio, um projeto social em Campo Grande tem ganhado espaço ao promover orientação e diálogo direto com homens sobre comportamento, respeito e relações familiares.
Idealizado por João Carlos da Silva Ferreira, o Instituto João Ferreira surgiu de forma espontânea, inicialmente com conversas informais entre amigos, e hoje se estrutura como uma iniciativa voltada à prevenção da violência doméstica.
Segundo o fundador, a motivação veio do cotidiano. “Eu via todos os dias casos de feminicídio na televisão. Tenho três filhas, então comecei a me preocupar muito. Foi aí que pensei: preciso fazer alguma coisa”, relata.
As primeiras ações aconteceram há cerca de dois anos, em encontros pequenos, realizados até mesmo em praças. Com o tempo, a procura aumentou e o projeto passou a atender pessoas de forma mais reservada, principalmente homens que enfrentam conflitos familiares e preferem não expor suas situações.
Atualmente, o instituto conta com uma sede e segue em processo de estruturação formal, com estatuto criado e apoio de empresários locais. A iniciativa ainda não recebe recursos públicos.
Além de reuniões e atendimentos, João também realiza palestras em diferentes cidades, levando orientações sobre relacionamento, responsabilidade afetiva e comportamento dentro de casa.
A abordagem, segundo ele, é direta e sem rodeios. “Eu falo de forma autêntica, do meu jeito, às vezes até duro, porque é preciso tocar na ferida. Muitos homens não percebem atitudes que já são sinais de agressão lá no começo, ainda no namoro”, explica.
Entre os temas abordados estão ciúmes excessivos, controle sobre a parceira, respeito no convívio diário e divisão de responsabilidades dentro do lar. O projeto também incentiva mudanças práticas, como maior participação dos homens na rotina doméstica e no cuidado com os filhos.
De acordo com o fundador, os resultados já aparecem. “Recebo vários retornos de pessoas dizendo que conseguiram mudar, melhorar o relacionamento. Já atendi casos até de madrugada, quando a situação estava crítica”, afirma.
A iniciativa também pretende ampliar o alcance no futuro, com a meta de chegar a outras cidades e, eventualmente, atuar em todo o país.
João destaca ainda que o projeto leva o nome do avô, uma referência pessoal. “Ele foi um exemplo de marido, pai e avô. É uma homenagem a tudo que ele representou para mim”, diz.


