segunda-feira, setembro 14, 2026

Psiquiatria Intervencionista – mais uma opção de tratamento dos transtornos mentais

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A medicina vem avançando muito rapidamente desde a segunda metade do século passado. A psiquiatria, como especialidade médica, teve grande desenvolvimento desde então. Os primeiros medicamentos para tratamento das doenças mentais, denominados de psicofármacos, surgiram na metade do século passado, possibilitando diminuir os episódios agudos e as internações psiquiátricas.

No final do século XX, foram descobertos novos psicofármacos, substâncias químicas com mais poder terapêutico e menos efeitos colaterais. A psicofarmacologia tem ação na neuroquímica cerebral, ou seja, é composta de medicamentos que agem nos neurotransmissores, aumentando ou diminuindo sua quantidade nas sinapses do cérebro e, consequentemente, aumentando ou diminuindo sua atividade no sistema nervoso central.

Paralelamente ao estudo e à descoberta de novos fármacos, observamos o desenvolvimento, igualmente grande, de terapias não farmacológicas. Sabe-se, porém, que uma delas, a Eletroconvulsoterapia, teve início antes do advento farmacológico, evoluindo nas últimas décadas para um procedimento mais seguro, com menos efeitos colaterais.

Todo o tratamento psiquiátrico tem como objetivo o aumento ou a diminuição de neurotransmissores em determinadas regiões do cérebro, estimulando ou inibindo essas áreas. Esses mecanismos estimulatórios ou inibitórios são a base do tratamento não farmacológico, que por agir aumentando ou diminuindo a atividade cerebral, no todo ou em parte, recebe o nome de tratamento neuromodulatório. Dentre os principais, estão a Eletroconvulsoterapia e a Estimulação Magnética Transcraniana, que compõem a hoje chamada Psiquiatria Intervencionista.

Como antes mencionado, a Eletroconvulsoterapia ou ECT surgiu na primeira metade do século passado e nos últimos cinquenta anos evoluiu para um tratamento mais seguro e humanizado, realizado e em ambiente hospitalar, com o paciente devidamente anestesiado. A ECT é considerada padrão ouro, quando se trata de resposta ao tratamento, assim reconhecida mundialmente, por evidências científicas incontestáveis.

A propagação do conhecimento diminuiu, mas não tanto quanto deveria, o estigma em relação à prática eletroconvulsoterápica, talvez porque no início, quando ainda não havia medicamentos capazes de controlar os sintomas psiquiátricos, a eletroconvulsoterapia foi amplamente utilizada, mesmo em casos atualmente não indicados, e ainda sem uso de anestésicos. É importante salientar que a doença psiquiátrica apresenta quadros graves e na época não havia medicamentos que controlassem a enfermidade, sendo a ECT a única possibilidade de controle das crises.

Contribui, também, para a manutenção do estigma, a má fé de determinados grupos, que constituem a antipsiquiatria e de algumas matérias midiáticas, que relatam inverdades e, consequentemente, oferecem um desserviço à saúde mental.

A Estimulação Magnética Transcraniana ou EMT é uma prática neuromodulatória mais simples e mais recente, realizada ambulatorialmente, que também tem mostrado bons resultados no tratamento psiquiátrico, porém, no momento atual do conhecimento médico, não supera a Eletroconvulsoterapia, na terapêutica de casos mais graves.

Tanto a descoberta frequente de novos psicofármacos, como a psiquiatria intervencionista representam avanços significativos para a saúde mental. Infelizmente esses últimos não são contemplados da rede pública de saúde e têm pouca cobertura dos planos particulares de saúde vigentes, o que dificulta muito o acesso do paciente a esses procedimentos terapêuticos, que têm custo relativamente elevado, portanto pouco acessível à maior parte da população brasileira.

Aqui abordamos inicialmente apenas a ECT e a EMT, mas vamos falar mais esmiuçadamente desses e de outros procedimentos neuromodulatórios, que compõem a Psiquiatria Intervencionista em novas oportunidades. No mais para o momento, é preciso esclarecer que a Psiquiatria Intervencionista é realizada como tratamento combinado aos psicofármacos e oferece novas possibilidades terapêuticas para pacientes que não respondem às abordagens tradicionais isoladas.

FONTE: PRIMEIRA PÁGINA

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