quarta-feira, novembro 4, 2026

Radiação mudou cães de Chernobyl? Como ciência explica alterações genéticas

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SÃO PAULO, SP (UOL/) – Quarenta anos após o desastre nuclear de Tchernóbil, novas pesquisas sobre as diferenças genéticas dos cães da região reacenderam o debate científico sobre os reais efeitos da radiação.

Estudos recentes identificaram alterações genéticas em cães que vivem perto da antiga usina na Ucrânia. A descoberta gerou divergências entre os pesquisadores sobre o verdadeiro papel da contaminação radioativa nessas mudanças.

Uma pesquisa publicada em 2023 revelou que os cães da usina formam uma comunidade isolada. O trabalho, publicado na revista Science Advances, mostrou que esses animais têm maior grau de parentesco e menor troca genética.

Outro estudo do mesmo ano apontou adaptações no genoma ligadas ao reparo de DNA e imunidade. Os cientistas sugeriram influência da seleção natural, mas não comprovaram que a radiação causou as alterações.

Um novo trabalho de 2024 concluiu que não houve aumento na taxa de mutações nesses animais. Publicado na revista PLOS One, o estudo analisou variantes genéticas e descartou anomalias cromossômicas pela contaminação.

As diferenças genéticas estão mais associadas ao isolamento da população do que à radiação. Segundo os autores da pesquisa mais recente, a seleção natural sem interferência humana explica melhor as mudanças observadas.

A região abandonada por humanos se transformou em uma reserva ambiental involuntária. Nas últimas décadas, a área passou a abrigar lobos, cavalos, aves e centenas de cães descendentes de animais deixados na evacuação.

Os cientistas concordam que Tchernóbil oferece uma oportunidade única de estudo. O local permite analisar os efeitos de longo prazo de ambientes contaminados sobre os animais ao longo de várias gerações.

A repercussão dos primeiros estudos gerou críticas dentro da comunidade científica. O professor de ciência ambiental Jim Smith publicou um artigo afirmando que a mídia exagerou ao sugerir mutações extremas por causa da radiação.

O pesquisador argumenta que outros fatores explicam melhor as mudanças nos animais. Ele cita alimentação, doenças e isolamento. “A verdadeira história de Tchernóbil não é a presença da radiação, mas a ausência de humanos”, diz Smith.

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