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Relato de Emanuelly passando fome chegou ao Conselho Tutelar dois meses antes da morte (vídeos)

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Antes de ser sequestrada, estuprada e assassinada, Emanuelly Victória Souza Moura, de apenas 6 anos, já havia sido atendida três vezes pelo Conselho Tutelar Sul de Campo Grande neste ano. Documentos obtidos pela reportagem mostram que os registros apontavam sinais claros de maus-tratos, negligência e fome, mas, ainda assim, a criança permaneceu em situação de risco até a tragédia.

O primeiro atendimento ocorreu em 17 de janeiro de 2025, quando Emanuelly foi encaminhada ao Conselho após avaliação de rotina no posto de saúde Leblon. A equipe de enfermagem relatou que a menina apresentava dificuldades para falar e sinais de negligência nos cuidados básicos de saúde. A situação foi repassada ao Serviço Social, que chegou a recomendar atenção especial à família, mas não houve medida protetiva imediata.

Pouco depois, em 19 de março de 2025, um novo chamado revelou uma realidade ainda mais grave. O relatório descreve que Emanuelly sofria agressões físicas e psicológicas e vivia em um ambiente marcado por violência doméstica. A denúncia detalhava que a criança morava com a mãe, Patrícia Ravana Souza Barbosa, que também seria vítima de agressões, e que a menina tinha deficiência cognitiva comprovada por laudo médico. O documento registra que, em menos de um mês, Emanuelly precisou ser levada ao hospital duas vezes. Além disso, constava que a criança estaria fisicamente debilitada e passando fome.

O último atendimento aconteceu em 13 de maio de 2025, a partir de denúncia feita ao Disque 100. O registro é contundente: Emanuelly seria vítima de maus-tratos constantes, andava “sempre suja” e apresentava hematomas pelo corpo. O documento também cita suspeita de que a mãe fazia uso de drogas e o padrasto teria envolvimento com entorpecentes. Mesmo diante da gravidade das informações, nenhuma medida foi suficiente para garantir a proteção da menina.

Diante desse histórico, o MPMS (Ministério Público de Mato Grosso do Sul) confirmou que instaurou procedimento para investigar a atuação do Conselho Tutelar Sul. O objetivo é verificar se houve omissão no cumprimento das atribuições legais e se essa falha pode ter contribuído para o desfecho trágico da vida da criança.

“Caso seja constatada omissão, será analisado se essa conduta teve relação com o desfecho trágico da vida da criança”, informou o órgão em nota.

A morte

A menina foi vista nas câmeras de segurança de vizinhos andando com o suspeito pela Rua São Gabriel, bairro Taquarussu, em Campo Grande. Ao ver a filha ao lado do homem, a mãe chega a comentar: “olha meu bebê, é a Manu! Aonde ele vai levar ela?”, bastante abalada.

Posteriormente, a imagem acaba. Diante da suspeita e por conhecer o homem que acompanhava a menor, eles acionaram a Polícia Militar para acompanhar o caso. O Batalhão de Choque da Polícia Militar foi até a casa do suspeito, na Vila Carvalho, onde encontrou a menina morta dentro de uma banheira enrolada em uma coberta, escondida embaixo da cama.

O autor morreu horas depois em confronto com o Choque.

 

 

 

 

 

 

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