A Justiça de Mato Grosso recebeu a denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) e tornou rés as missionárias Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida e a mãe dela, Orminda Carlos de Barcelos Almeida. As duas são acusadas dos crimes de promover, constituir, financiar ou integrar, pessoalmente ou por interposta pessoa, organização criminosa, além de crimes de lavagem de dinheiro.
A decisão foi proferida nesta quinta-feira (17) pelo juiz Jean Garcia de Freitas Bezerra, da 7ª Vara Criminal de Cuiabá. Elas são acusadas de integrar uma família de missionários religiosos de Cuiabá em um esquema ligado à facção criminosa Comando Vermelho, na Penitenciária Central do Estado (PCE).
Ao receber a denúncia, o magistrado destacou que, embora o nome de Nivaldo de Almeida, esposo de Orminda e pai de Rhavenna, constasse na peça apresentada pelo Ministério Público, ele não foi denunciado em razão de seu falecimento, ocorrido em 5 de setembro deste ano.
O juiz determinou que o Ministério Público providencie a juntada da certidão de óbito ao processo. Na mesma decisão, o magistrado determinou a retirada do sigilo do processo. Permanecerão com acesso restrito às partes apenas os documentos que envolvam a intimidade dos denunciados.
Com o recebimento da denúncia, Rhavenna e Orminda passam a responder formalmente a uma ação penal na Justiça.
Atualmente Rhavenna está presa na penitenciária feminina de Cuiabá, Ana Maria do Couto May.
Operação Fariseus
Alvos da Operação Fariseus, deflagrada pela Polícia Civil em 16 de julho deste ano, Rhavenna e a família eram investigados por supostamente integrar uma família de “missionários” que utilizava um projeto religioso para se aproximar de lideranças de uma organização criminosa dentro e fora de presídios.
Os pais da jovem, Nivaldo de Almeida e Orminda Carlos de Barcelos Almeida, também foram identificados pelos investigadores. Contra eles, foram cumpridos mandados de busca e apreensão.
O casal, que atua como pastores evangélicos, aparece em registros ao lado da filha e de pessoas apontadas como lideranças criminosas pelos investigadores.

Rhavenna é apontada como uma das pessoas próximas de Jonas Souza Garcia Júnior, conhecido como “Batman”. Ainda conforme a Polícia Civil, Rhavenna seria uma das namoradas do investigado.
Segundo a investigação, ele é uma liderança do Comando Vermelho em Mato Grosso, possui pena unificada superior a 49 anos e está foragido desde 2024, após romper a tornozeleira eletrônica durante progressão de regime.
Vídeos e fotografias obtidos durante a investigação mostram Rhavenna em comunidades do Rio de Janeiro, onde aparece segurando armas de fogo e ao lado de pessoas apontadas como integrantes da facção criminosa. Em uma das imagens, ela está com Jonas Souza Garcia Júnior.

Denúncia detalha cartas, troca de mensagens e ligação com presos na PCE
Troca de cartas entre detentos da Penitenciária Central do Estado (PCE) com a missionária Rhavenna Barcelos Cabeça de Almeida indicam que os presos transferiam a ela e familiares valores em dinheiro e pediam para que guardassem objetos como relógios e outros.
A informação consta em trechos da denúncia do Ministério Público de Mato Grosso (MPMT) oferecida à ao Juízo da 7ª Vara Criminal de Cuiabá. A conclusão parte de análise de diálogos e imagens extraídas do celular de Rhavenna.
Segundo a denúncia, a família realizava visitas frequentes à Penitenciária Central do Estado (PCE), apresentando-se como líderes religiosos e ingressando no ambiente prisional com aparelhos celulares e carregadores, os quais seriam entregues a detentos integrantes da facção.

“Consigna-se que os itens e valores são entregues por pessoas que devem os presidiários, portanto, sabe-se que não têm origem lícita, pois não realizam qualquer atividade remunerada no presídio”, diz trecho da denúncia.
Embora os nomes de Rhavenna e Orminda não sejam citados diretamente nas cartas, os investigadores concluíram que a “irmã” seria a primeira enquanto que a “mãe” seria Orminda.


