Doentes renais crônicos – atendidos pelo Sistema Único de Saúde – lamentam receberem tratamento diferenciado ante pacientes de convênios ou particulares, em uma clínica na Rua 13 de Maio, em Campo Grande. O descaso, segundo os denunciantes, já gerou morte e internações por conta de materiais reaproveitados ou mal asseados.
Conforme já mostrou o TopMídiaNews nesta quinta-feira (6), um paciente de 58 anos garante que a clínica reutiliza materiais descartáveis para fazer a diálise dos pacientes. Ele cita que os capilares são de péssima qualidade e que, após o primeiro uso, se rompem no processo de filtragem do sangue.
Ainda segundo a fonte, que se trata há 10 anos, não faltam insumos, mas os utilizados não atendem às necessidades dos pacientes e que sempre é utilizado o mínimo de recursos durante o processo.
“Antes eles utilizavam uma marca de capilar que não dava problema, mas esse vive estragando. Tem pacientes que já tiveram que recomeçar o processo três ou quatro vezes por falha do material”, lamenta.
O homem afirma que o principal problema é a falta de funcionários, uma vez que deveriam ter pelo menos um servidor para cada dois pacientes, mas que as salas de hemodiálise destinadas para tratamento do SUS funcionam com seis pacientes para cada dois funcionários.
Uma outra paciente de 43 anos afirmou que a reutilização dos capilares causou danos a alguns pacientes que precisaram ser internados por complicações após o tratamento. Segundo a mulher, após os pacientes sofrerem complicações, a clínica passou a usar capilares de uso único.
“Eles estão fazendo uso único só depois que alguém morreu. Aqui nós somos do SUS, e eles não gostam porque o SUS não cobre o capilar de uso único. Então nós corremos o risco de usar de novo, usar capilar lavado com química que pode vir pro sangue da gente, e pode matar ou internar”.
A paciente já havia denunciado a mesma clínica pelos atrasos no atendimento dos pacientes da parte da manhã, que muitas vezes não conseguiam realizar a diálise porque não daria para cumprir as quatro horas necessárias de tratamento.
Anvisa
De acordo com a Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), os capilares podem ser utilizados até 20 vezes após passarem por um rigoroso processo de limpeza, exceto em casos de pacientes com hepatite dos tipos B ou C e HIV.
Em nota, a clínica informou que está apurando e acompanhando os fatos relatados pelos pacientes da unidade de Campo Grande na última semana. “Toda a assistência necessária está sendo prestada, com acompanhamento contínuo das equipes médica e assistencial, além do suporte aos familiares. Reforçamos nosso compromisso com a segurança, a qualidade do atendimento e o cuidado prestado em nossas unidades”.
Já a Secretaria Municipal de Saúde alega que, “até o momento, não recebeu comunicação oficial sobre as situações mencionadas envolvendo pacientes atendidos na clínica de hemodiálise citada”. “A Sesau reforça que acompanha com atenção toda situação que envolva assistência à saúde da população e permanece à disposição para colaborar, dentro de suas competências institucionais, sempre que oficialmente demandada”, finaliza.


