A Rússia lançou 68 mísseis e 351 drones contra Kiev e outras regiões da Ucrânia nesta segunda-feira (6). A ofensiva matou pelo menos 14 pessoas e deixou mais de 60 feridos, segundo o presidente ucraniano, Volodimir Zelensky. Além disso, os ataques atingiram dezenas de prédios residenciais.
A ofensiva ocorreu um dia antes do início da cúpula da Otan, em Ancara, na Turquia. Por isso, Zelensky voltou a cobrar dos aliados mais equipamentos para a defesa aérea. O presidente ucraniano deve discutir o assunto com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, durante o encontro.
Poucos dias antes, outro bombardeio russo havia matado mais de 30 pessoas em Kiev. Agora, o novo ataque voltou a atingir áreas residenciais da capital ucraniana.
Mísseis atingem prédios residenciais
Um dos mísseis abriu uma cratera em um edifício de vários andares. A explosão também destruiu os pavimentos superiores do prédio.
Além disso, os ataques danificaram quase 30 edifícios residenciais em diferentes pontos de Kiev. As equipes de emergência continuaram, então, as buscas entre os escombros durante várias horas.
Durante a madrugada, moradores ouviram mais de dez explosões. Enquanto isso, a capital mantinha o alerta para a chegada de mísseis balísticos.
Em Vyshneve, nos arredores de Kiev, as autoridades ordenaram a retirada de moradores. Isso porque equipes encontraram risco de munições não detonadas entre os destroços.
Moradores relatam sequência de explosões
No distrito de Podilski, na região norte da capital, moradores também relataram momentos de tensão. Oleksandr Bakhlukov, de 68 anos, contou que uma forte explosão atingiu a região durante a madrugada.
“Às 1h30, aconteceu um impacto muito forte. Uma onda expansiva, todas as janelas voaram. E depois atacaram mais três vezes”, afirmou à AFP.
Em seguida, Bakhlukov relatou os danos dentro do apartamento. “Pedaços de vidro caíram por todos os lados. Não sobrou uma janela de vidro no apartamento”, acrescentou.
Além dos prédios residenciais, a ofensiva afetou outras áreas da Ucrânia. No entanto, Kiev concentrou parte das mortes e dos danos registrados pelas autoridades.
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Zelensky cobra mais defesa aérea
Após os ataques, Zelensky pediu que os países aliados ampliem o envio de equipamentos militares. Sobretudo, a Ucrânia quer mais mísseis interceptadores para enfrentar os projéteis balísticos russos.
“É de importância crucial que o mundo — e, sobretudo, os Estados Unidos e nossos parceiros europeus — saia da cúpula da Otan em Ancara com decisões firmes em apoio à nossa defesa aérea e, portanto, à proteção da vida”, declarou.
Segundo Zelensky, as forças ucranianas derrubaram drones e mísseis de cruzeiro durante a ofensiva. Porém, o país ainda tem um “fornecimento insuficiente de mísseis interceptadores” para deter os mísseis balísticos.
A Rússia usou esse tipo de armamento contra Kiev pela segunda vez em uma semana. Por isso, o governo ucraniano voltou a pedir munições para os sistemas Patriot, de fabricação norte-americana.
A presidente da Comissão Europeia, Ursula von der Leyen, também pediu mais equipamentos para a Ucrânia. Segundo ela, o país precisa “com urgência” de mais defesa aérea. Além disso, a dirigente afirmou que a Otan discutirá o tema durante a cúpula.
Rússia confirma ataque em larga escala
O Ministério da Defesa da Rússia confirmou a ofensiva com mísseis e drones. Entretanto, Moscou declarou que mirou empresas do complexo militar-industrial e instalações de energia em várias regiões ucranianas.
Ao mesmo tempo, o Exército russo afirmou que derrubou mais de 500 drones ucranianos durante a noite. Contudo, as autoridades não detalharam todos os locais das interceptações.
Na Crimeia, um ataque contra a infraestrutura de energia deixou parte de Sebastopol sem eletricidade. Mikhail Razvozhayev, governador indicado por Moscou, divulgou a informação no Telegram.
Segundo ele, a cidade enfrentou problemas no fornecimento “após um ataque inimigo contra a infraestrutura de energia perto de Sebastopol”.
Ataque antecede cúpula da Otan
A nova ofensiva ocorreu às vésperas da cúpula da Otan em Ancara. Durante o encontro, Trump e Zelensky devem conversar sobre a guerra iniciada em 2022.
“Obviamente, vai se reunir com ele para conversar sobre como acabar com a guerra”, declarou um funcionário de alto escalão do governo norte-americano. A fonte pediu anonimato.
Além da reunião com Zelensky, Trump prevê uma conversa com o presidente russo, Vladimir Putin. O governo norte-americano tenta retomar as negociações sobre o conflito.
Desde fevereiro de 2022, quando a Rússia iniciou a invasão em larga escala, as forças russas lançam com frequência mísseis e drones contra cidades ucranianas.
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