quarta-feira, novembro 4, 2026

Sem acesso a atendimento especializado, mãe luta com crises da filha de 10 anos em Campo Grande

Date:

Share

Há pelo menos cinco anos, Marina*, 33 anos, tenta conseguir um diagnóstico exato do que a filha, Larissa Helena*, de 10 anos, tem. A menina de Campo Grande apresenta, desde mais nova, comportamento agressivo, crises graves e descontrole psiquiátrico, mas sem conseguir passar por especialistas no SUS (Sistema Único de Saúde), a mãe sofre com o comportamento da filha.

Segundo a mãe, Larissa se descontrola com frequência, se bate, agride Marina, tenta fugir de casa e já chegou a dizer que quer morrer. Em um dos momentos mais difíceis, a mãe precisou trancar janelas e portas com cabos de vassoura para impedir que a filha saísse.

“Fico trancada no quarto com ela para não fugir. As crises pioraram nos últimos meses, ela não frequenta a escola. Nossa vida parou”, diz emocionada.

Marina conta que buscou atendimento na unidade de saúde do Botafogo, onde a menina realizou exames, como eletroencefalograma, mas nenhuma alteração ou transtorno foi identificado na época. Mesmo utilizando medicação controlada, o quadro não apresentou melhora ao longo dos anos e vem piorando.

“Eu sei que ela precisa de ajuda urgente, mas não consigo psicólogo nem psiquiatra para descobrir o que ela tem”, conta a mãe.

A família também procurou o CAPS (Centros de Atenção Psicossocial), mas não conseguiu evolução para tratamento do caso. Na Associação Vida Plena, a equipe sinalizou que poderia atender Larissa, porém o sistema da Secretaria Municipal de Saúde classifica a situação da criança como verde, ou seja, sem prioridade, impedindo o acesso ao serviço, de acordo com Marina.

Sem rede de apoio, sem conseguir trabalhar e com outra filha de 6 anos para cuidar, Marina vive exclusivamente para acompanhar Larissa. “Vivo o medo constante de novas crises, ela insiste em fugir durante os surtos, estou desesperada. Minha filha sofre, eu sofro, e não conseguimos atendimento. Não sei mais a quem recorrer”, desabafa.

Diante da demora e da falta de respostas da rede pública, Marina recorreu à Defensoria Pública, que tenta garantir o acesso a acompanhamento psicológico, psiquiátrico e institucional adequado ao caso.

A reportagem entrou em contato com a Sesau (Secretaria Municipal de Saúde de Campo Grande) sobre a espera para consultas em psicologia e psiquiatria infantil, e aguarda retorno.

* Nomes fictícios para preservar a identidade da criança

Your browser does not support HTML5 video.

 

Share
Canais Oficiais

Instagram

Siga e acompanha

Seguir no Instagram

YouTube

Inscreva-se no canal

Inscrever-se

TikTok

Siga e veja os vídeos

Seguir no TikTok

LEAVE A REPLY

Please enter your comment!
Please enter your name here

Barra Redes Sociais
79,366FansLike

Artigos relacionados

Conheça Felipe Sousa-Lazaballet, primeiro brasileiro eleito deputado na Flórida

O brasileiro Felipe Sousa-Lazaballet, de 40 anos, foi eleito deputado estadual na Flórida, nos Estados Unidos. Nascido em...

Anvisa aprova Wegovy em comprimido para tratamento da obesidade no Brasil

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o uso do Wegovy em comprimidos para o tratamento da...

Organização criminosa usava blindados, drones e armas pesadas na fronteira de MS, aponta polícia

A organização criminosa investigada na Operação Ifrit mantinha uma estrutura de segurança armada com veículos blindados, drones, equipamentos...

Homem é encontrado morto dentro de apartamento em Três Lagoas

Um homem de 52 anos foi encontrado morto dentro do apartamento onde morava, na noite desta terça-feira (3), no...