A crise estrutural e administrativa enfrentada pela GCM (Guarda Civil Metropolitana) de Campo Grande deve ganhar um novo capítulo de enfrentamento nas próximas semanas. Pressionados por uma rotina de trabalho marcada por atrasos de benefícios básicos e risco à vida por falta de equipamentos adequados, os servidores da segurança pública municipal convocaram uma Assembleia Geral Extraordinária para o próximo dia 25 de abril.
O encontro, organizado de forma conjunta pelo Sindicato dos Guardas Municipais e pela Associação da categoria (AGMCG/MS), será realizado no salão de eventos do Hotel Concord, na região central. O foco principal da ordem do dia é a deliberação da pauta salarial referente à data-base de maio de 2026. No entanto, o edital publicado no Diário Oficial evidencia que a insatisfação da tropa com a gestão da prefeita Adriane Lopes vai muito além da recomposição de perdas inflacionárias no contracheque.
O documento aponta para um cenário de direitos travados pela atual administração. Durante a assembleia, os guardas decidirão sobre a aprovação de novas ações judiciais contra o Executivo. A estratégia inclui a impetração de mandados de segurança e injunção devido à omissão da prefeitura no pagamento do adicional noturno e do adicional de aperfeiçoamento para servidores com nível superior. O sindicato também planeja acionar a Justiça para forçar o andamento dos processos de promoção da carreira, que se encontram paralisados, e para exigir transparência nas decisões tomadas pela Corregedoria do órgão.
Abandono e Risco à Vida
A mobilização legal e salarial da corporação ocorre em meio ao agravamento do desgaste entre a Guarda e o Paço Municipal. O efetivo convive com as consequências práticas da falta de planejamento financeiro e logístico da prefeitura.
Em dezembro, a gestão Adriane Lopes deixou os servidores à deriva ao atrasar o pagamento do vale-alimentação, comprometendo o orçamento doméstico dos agentes. O reflexo da má administração também atinge diretamente as ruas: o efetivo tem denunciado o trabalho em condições precárias devido à falta de reposição de uniformes regulares.
Além disso, denúncias recentes mostram que guardas metropolitanos foram submetidos a treinamentos utilizando coletes balísticos vencidos, uma violação direta dos protocolos de segurança que coloca a integridade física da tropa em risco de morte durante as operações.
A falha no fornecimento de proteção adequada, inclusive, é um passivo histórico da prefeitura que retornará à pauta no dia 25. A assembleia debaterá a possível transação de valores indenizatórios oriundos de uma ação trabalhista antiga, conhecida entre os servidores como a “ação do colete”. O objetivo do sindicato é utilizar esse recurso para viabilizar a compra de uma sede própria.


