Em pronunciamento no Plenário nesta quarta-feira (3), a senadora sul-mato-grossense Soraya Thronicke (Podemos) defendeu o aumento da quarentena para ex-diretores do Banco Central de seis meses para quatro anos para poderem ocupar funções em instituições privadas. Para a parlamentar, a autonomia do Banco Central ainda não é plena e precisa ser revista para servir à população e não ao setor financeiro.
A parlamentar disse que a independência da instituição deve estar acompanhada de regras claras e mecanismos de controle, evitando práticas como a chamada “porta giratória”, que permite a dirigentes assumirem cargos em bancos privados logo após deixarem a função pública.
“O que temos visto, na verdade, é uma perigosa confusão em que a bandeira da independência técnica é usada como um escudo para proteger uma elite que não quer ser supervisionada, que não quer prestar contas a absolutamente ninguém. E aí eu digo a vocês: a autonomia não é e nunca será sinônimo de ausência de regras. Certo? A gente fala em democracia, mas a gente não fala em liberdade total. Tudo tem regras, não é anarquia, essa é a diferença. Então, sim, autonomia com regras. Na verdade, é o cumprimento rigoroso das regras que fortalece uma instituição e lhe confere a legitimidade que ela precisa para operar”, afirmou.
A senadora defendeu a criação de uma nova lei que amplie de seis meses para quatro anos a quarentena de ex-diretores do Banco Central antes que possam ocupar funções em instituições privadas. Segundo Soraya, essa medida é necessária para proteger a economia nacional de interesses particulares e reforçar a credibilidade da instituição.
“Que fique bem claro: quem se opõe a essas mudanças não está defendendo a independência do Banco Central, como foi feito lá atrás. Na verdade, ele não é independente porque não tem nem autonomia financeira. Quem for contra está defendendo, na verdade, o controle dos grandes bancos sobre o Banco Central. Está defendendo os seus próprios privilégios em detrimento do futuro de mais de 213… 214 milhões de brasileiros. Eu digo aqui e vou lutar com unhas e dentes: basta disso. Basta!”, declarou.


