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Suinocultura mineira acumula prejuízos com alta oferta e queda no preço do suíno vivo

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A suinocultura em Minas Gerais atravessa um momento crítico de desequilíbrio financeiro. O valor pago pelo animal vivo caiu abaixo do custo de produção, gerando um cenário de alerta para a sustentabilidade das granjas.

Segundo João Carlos Bretas Leite, vice-presidente da Associação dos Suinocultores do Estado de Minas Gerais, o custo médio para produzir um quilo de suíno varia entre R$ 6 e R$ 6,50.

Em contrapartida, o mercado remunera cerca de R$ 5,70 por quilo vivo. Após os descontos operacionais e de transporte, o produtor recebe em média R$ 5,20 líquidos. Esse descompasso resulta em um prejuízo de aproximadamente R$ 1 por quilo comercializado, punindo com mais severidade os criadores do sistema independente.

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O cenário atual deriva de uma combinação entre o aumento da disponibilidade de carne e o enfraquecimento do consumo doméstico. O setor colhe os reflexos do próprio avanço tecnológico. A melhoria na genética e na eficiência produtiva, somada à expansão dos plantéis, inundou o mercado interno em um período no qual o endividamento das famílias brasileiras restringe o poder de compra.

Um fator comportamental agravou a situação nas propriedades. Com a queda no preço do milho, o custo da alimentação recuou, incentivando os suinocultores a reterem os animais por mais tempo nas instalações para engorda. Essa decisão elevou o peso médio de abate de 112 quilos para até 120 quilos. O que parecia uma vantagem econômica individual gerou um efeito cascata de super oferta no mercado, achatando ainda mais as cotações repassadas aos produtores.

As exportações mantêm ritmo positivo, mas o volume embarcado não é suficiente para enxugar o excedente de carne no Brasil. A recuperação financeira da cadeia depende diretamente do aquecimento da demanda doméstica. A perspectiva para os meses de maio, junho e julho segue cautelosa, com previsão de continuidade das margens negativas para quem produz.

A aposta das lideranças é que a carne suína ganhe competitividade nas gôndolas dos supermercados durante o segundo semestre. Se a queda nos preços no atacado chegar ao consumidor final de forma expressiva, a proteína ganha tração para substituir opções mais caras e reequilibrar o fluxo de vendas. Até que essa virada aconteça, a recomendação principal para as granjas é focar na gestão rigorosa dos custos operacionais e manter a eficiência técnica para sobreviver à atual fase de baixa do ciclo pecuário.

*Sob supervisão de Hildeberto Jr.

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