segunda-feira, novembro 2, 2026

Taiwan tenta reativar usinas nucleares após tensão no Oriente Médio

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Taiwan iniciou o processo para reativar duas usinas nucleares, cerca de um ano após ter desligado o último reator em operação. A decisão ocorre em meio ao aumento da demanda por energia, impulsionado pelo avanço da inteligência artificial, e às incertezas geopolíticas no Oriente Médio.

A estatal Taipower trabalha para obter autorização para retomar as atividades das usinas de Kuosheng, no norte do país, e Maanshan, no sul. Segundo o presidente taiwanês, William Lai, a empresa deve apresentar um plano à Comissão de Segurança Nuclear até o fim do mês.

De acordo com Lai, a retomada da energia nuclear depende de três fatores principais: segurança das usinas, gestão adequada dos resíduos e apoio da população.

Taiwan havia encerrado seu último reator em maio de 2025, marcando o fim de um processo gradual de abandono da energia nuclear iniciado anos antes, após o acidente de Fukushima, no Japão. A política fazia parte da estratégia do governo de construir um país livre desse tipo de energia.

No entanto, o cenário mudou. O crescimento econômico, a necessidade de fontes com menor emissão de carbono e o aumento do consumo energético, especialmente com a expansão da inteligência artificial, levaram o governo a reconsiderar a decisão.

Além disso, uma nova lei aprovada pelo Parlamento permite que usinas nucleares continuem operando mesmo após o início do processo de desativação, o que abriu caminho para a possível retomada.

A questão energética também está ligada à dependência externa. Em 2025, o gás natural liquefeito respondeu por mais de 47% da geração elétrica de Taiwan, sendo parte significativa importada do Catar. Já cerca de 70% do petróleo consumido pelo país vem do Oriente Médio, principalmente da Arábia Saudita, Kuwait e Emirados Árabes Unidos.

Esse cenário aumenta a vulnerabilidade do país diante de possíveis interrupções no fornecimento, especialmente em meio a conflitos na região.

O governo afirma que tem buscado diversificar as importações, hoje distribuídas entre 14 países, e garante que o abastecimento de gás deve permanecer estável no curto prazo.

Outro fator de preocupação é a dependência do transporte marítimo para importação de energia. Taiwan teme um eventual bloqueio por parte da China, que considera a ilha parte de seu território e tem intensificado exercícios militares na região.

Em recentes manobras, forças chinesas simularam operações de bloqueio e controle de portos, ampliando as tensões e reforçando a preocupação com a segurança energética do país.

A República de Taiwan detectou 26 aeronaves militares chinesas a operar nas imediações da ilha nas últimas 24 horas, das quais 16 cruzaram a linha média do Estreito de Taiwan, anunciou hoje o Ministério da Defesa Nacional de Taiwan.

Brasil | 08:24 – 15/03/2026

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