O governador reeleito de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), criticou a carta aberta do senador e candidato derrotado na disputa pela Presidência da República Flávio Bolsonaro (PL).
Mais cedo, o parlamentar, que está nos Estados Unidos, publicou um texto se autoentitulando ”verdadeiro presidente do Brasil”. Depois, ele apagou a postagem e trocou a expressão para “líder”.
”Eleição acabou e agora é preciso olhar para a frente. Entendo o sentimento de Flávio, entendo sua indignação e sua revolta, e esse sentimento é o de muitos brasileiros também. Mas o caminho é respeitar o resultado das urnas e seguir em frente. O momento exige responsabilidade, serenidade e a construção de uma oposição forte, capaz de exercer seu papel. É assim, respeitando o processo democrático e trabalhando dentro das instituições, que vamos fortalecer o sistema de freios e contrapesos que sustenta a nossa democracia”.
Na terça-feira (27/10), governador do estado de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), falou pela primeira vez após o presidente Lula (PT) derrotar Flávio Bolsonaro (PL) na eleição à Presidência da República. O republicano, apoiador de primeira hora de Flávio, afirmou que a “eleição passou, mas que o Brasil ficou dividido”.
Em outro momento do vídeo, Tarcísio também fez um agradecimento a Flávio Bolsonaro, dizendo que a caminhada das eleições ”foi incrível”.
”Foram 60 milhões de brasileiros e a cada um de vocês, obrigado! Obrigado pelo esforço, pelo entusiasmo, pela esperança! Obrigado, Flávio por caminhar com a gente! Obrigado a vocês que estiveram na arena e isso ninguém apaga”.
Flávio culpa STF, mesmo que também tenha pedido prorrogação da votação
”Uma decisão do STF, tomada por cima da competência do TSE, estendeu a votação no apagar das luzes, e a ordem só chegou depois do fim do horário legal, quando as urnas já estavam encerradas. Eleitores ficaram submetidos a regras diferentes. Até agora, o TSE se limitou a defender a prorrogação do horário e não há sequer uma única resposta crível”, diz trecho.
Na carta, Flávio diz que após a “repugnante fraude eleitoral o ministro Alexandre de Moraes, do STF, colocou em prática um ‘plano previamente elaborado’ — o pedido de apreensão do passaporte. Senador afirma que Moraes ”muito provavelmente estaria preso, se eles não tivessem impedido a minha posse, pôs em andamento a máquina de perseguição política do regime”.
Flávio nega ter fugido do Brasil: “Eu saí pelo Brasil, saí de um regime de exceção para poder ser o líder que o meu povo merece, pois calado, preso e censurado, como meu pai está, eu não poderia ser essa liderança e seríamos entregues ao teatro institucional de uma oposição castrada e controlada pela Suprema Corte repleta de serviçais do regime.”
O filho mais velho do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) disse ainda que pretende liderar a oposição diretamente dos Estados Unidos.
”Aos senadores, deputados e governadores que ajudei a eleger, e em especial ao meu candidato à presidência do Senado, Rogério Marinho: sei que hoje vocês não têm a liberdade necessária para o pleno exercício da atividade política. Por isso, liderarei a oposição daqui. Direito o que vocês, aí, não podem dizer, e assumirei os riscos que vocês não podem correr”, afirmou Flávio.
No documento, Flávio agradece ainda ao presidente da Argentina, Javier Milei, pela “coragem e senso de justiça e legalidade” e ao líder dos Estados Unidos, Donald Trump, por o acolher no país.

