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Telediagnóstico em dermatologia avalia lesões de pele na rede pública de saúde em MS

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A rede pública de saúde utiliza o telediagnóstico em dermatologia para a avaliação de lesões de pele por especialistas sem a necessidade de deslocamento inicial dos pacientes. A estratégia ocorre desde 2019. O atendimento acontece em 28 municípios do estado de Mato Grosso do Sul.

A estratégia integra o STT (Sistema de Telemedicina e Telessaúde). A ferramenta é ofertada nacionalmente pelo Telessaúde da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) em parceria com a Central Estadual de Telemedicina de Santa Catarina.

O Ministério da Saúde reconhece a ferramenta como uma estratégia capaz de aumentar a resolutividade da APS (Atenção Primária à Saúde). O sistema possui potencial para solucionar cerca de 70% dos casos sem a necessidade de consulta presencial com um dermatologista.

O objetivo central é melhorar o acesso da população aos serviços de média e alta complexidade na área. O processo classifica o risco das lesões e organiza a fila de encaminhamentos de acordo com a gravidade.

A secretária-adjunta de Saúde, Crhistinne Maymone, apontou o fortalecimento do SUS (Sistema Único de Saúde). “Estamos falando de uma ferramenta que qualifica a Atenção Primária, reduz deslocamentos desnecessários e permite que casos suspeitos de câncer sejam identificados com mais rapidez. Isso impacta diretamente no prognóstico e na qualidade de vida dos pacientes”, afirmou.

O fluxo de atendimento começa na UBS (Unidade Básica de Saúde). O médico da unidade identifica uma lesão suspeita, solicita o exame pelo sistema e realiza a triagem. Um profissional capacitado ou o próprio médico faz o registro fotográfico da lesão.

A plataforma recebe as imagens e as informações clínicas para a avaliação de dermatologistas especializados. A unidade solicitante recebe o laudo com a classificação de risco e a conduta indicada em até 72 horas.

O serviço atende casos suspeitos de câncer de pele do tipo melanoma e não melanoma, englobando também outras dermatoses. A resolução de parte das situações na própria Atenção Primária evita encaminhamentos e qualifica a fila para o atendimento presencial.

A superintendente de Saúde Digital da SES (Secretaria de Estado de Saúde), Marcia Tomasi, mencionou a organização do fluxo. “Além de ampliar o acesso ao especialista, o sistema estratifica o risco e prioriza quem realmente precisa de atendimento presencial. É tecnologia aplicada à gestão do cuidado, com impacto direto na eficiência da rede”, pontuou.

Os 28 municípios integrados à rede abrigam 43 pontos de atendimento. Os dados do serviço identificaram casos de câncer de pele não melanoma em 125 pacientes no Pantanal em dois municípios, 103 na Costa Leste em sete municípios, 42 no Cone Sul em sete municípios e 32 no Centro em quatro municípios.

Os registros de melanoma apontam 33 casos no Pantanal em dois municípios, 13 na Costa Leste em sete municípios, cinco no Centro em três municípios e quatro no Cone Sul em dois municípios. O melanoma apresenta maior agressividade e a identificação em estágio inicial aumenta as chances de cura e controle da doença.

A coordenadora do Telessaúde da SES, Rosângela Dobbro, detalhou as exigências para o funcionamento adequado da ferramenta. “O exame só é validado quando segue rigorosamente os protocolos de imagem, identificação e consentimento do paciente. Investimos na capacitação das equipes porque quanto melhor o registro, mais preciso é o laudo e mais ágil é a conduta clínica”, explicou.

Os municípios precisam formalizar adesão ao Telessaúde e adquirir um kit de dermatologia para implantar o serviço. O conjunto é composto por dermatoscópio, adaptador e equipamento de captura de imagem, como smartphone ou câmera digital.

A habilitação dos locais exige cadastro no sistema, capacitação para o registro fotográfico, identificação adequada das lesões e termo de consentimento assinado pelo paciente antes do envio das imagens.

Casos graves e pacientes sintomáticos não devem aguardar o laudo do sistema. O paciente nessa condição deve ser encaminhado imediatamente para a rede de urgência e emergência.

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