Senadora sul-mato-grossense questionou a atuação do Judiciário e defendeu a pacificação entre os Poderes após medida determinada pelo STF
A senadora Tereza Cristina (PP-MS) criticou a decisão judicial que determinou a entrega dos passaportes do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) e o proibiu de deixar o Brasil. Em manifestação nas redes sociais, a parlamentar classificou a abordagem feita pela Polícia Federal como uma possível forma de intimidação política.
A declaração foi publicada nesta terça-feira (27), após Flávio relatar que foi intimado a entregar os documentos quando deixava a residência do pai, o ex-presidente Jair Bolsonaro, em Brasília, onde ele cumpre prisão domiciliar.
Tereza questionou o momento da medida, adotada um dia depois do segundo turno da eleição presidencial, realizado no domingo (25). Na avaliação da senadora, a situação levanta dúvidas sobre a relação entre o Judiciário e os adversários do governo federal.
“Não será com intimidações arbitrárias que chegaremos lá”, afirmou a parlamentar, ao defender a busca por uma convivência institucional mais equilibrada entre os Poderes a partir de 2027.
Decisão foi determinada por Alexandre de Moraes
A ordem foi expedida pelo ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), e prevê a entrega dos passaportes comum e diplomático de Flávio à Polícia Federal. A determinação também proíbe o senador de deixar o território brasileiro.
Segundo informações divulgadas pela Agência Brasil, a medida integra um processo sob segredo de Justiça no qual Flávio e o advogado Willer Tomaz são investigados. As apurações envolvem suspeitas de irregularidades financeiras, incluindo possível lavagem de dinheiro. Os investigados têm direito à defesa, e as suspeitas não equivalem a uma condenação.
Flávio afirmou que pretende cumprir a determinação, mas contestou os fundamentos da decisão. O senador relacionou a medida a declarações feitas pelo irmão, Eduardo Bolsonaro, sobre a possibilidade de deixar o país caso fosse derrotado na disputa presidencial.
Debate sobre a pacificação institucional
Ao comentar o episódio, Tereza Cristina afirmou esperar que o próximo período político seja marcado pela redução das tensões entre as instituições. A senadora se apresentou como representante de uma oposição comprometida com a busca de entendimento entre os Poderes.
A decisão judicial e as críticas da parlamentar ampliaram o debate político em torno das medidas cautelares impostas a Flávio Bolsonaro. Enquanto aliados do senador questionam a iniciativa e apontam possível perseguição política, a determinação permanece vinculada às investigações em andamento no Supremo Tribunal Federal.

