Senadores de MS integram manobra com Davi Alcolumbre que blinda banqueiro e ministros do STF de investigação bilionária; em compensação, oposição ganha urgência em projeto que reduz drasticamente as penas dos condenados pelos atos antidemocráticos
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A política de Brasília produziu mais um “toma lá, dá cá” de proporções históricas e as digitais da bancada de Mato Grosso do Sul estão no documento. Os senadores Tereza Cristina (PP) e Nelsinho Trad (PSD) assinaram um requerimento que pavimentou o caminho para engavetar a temida Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banco Master. A desistência da investigação não saiu de graça: foi a moeda de troca para pautar um veto presidencial que abranda as penas dos condenados pelos atos de 8 de janeiro.
A manobra funcionou como uma engrenagem de blindagem mútua. Para viabilizar a análise urgente do chamado “PL da Dosimetria”, Tereza, Nelsinho e outros 30 senadores fecharam um pacto com o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (UB). A oposição abriu mão da leitura do requerimento da CPI, rito obrigatório para sua instalação e, em troca, Alcolumbre destravou a pauta que beneficia a base bolsonarista.
Ao rifarem a comissão, os parlamentares jogaram uma pá de cal sobre um dos escândalos mais explosivos da República. A CPI do Master tinha um alvo claro: investigar fraudes, operações financeiras irregulares e a emissão de títulos de crédito falsos envolvendo o banco liquidado e seu dono, Daniel Vorcaro.
O caso, que já havia motivado a Polícia Federal a deflagrar a “Operação Compliance Zero”, ganhou tração atômica quando surgiram suspeitas de relações umbilicais entre o banqueiro e autoridades da cúpula política e ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). A comissão investigaria justamente a conduta desses magistrados um tema que Alcolumbre, conhecido por sua proximidade com o Judiciário, lutava para abafar a todo custo.
Prêmio de consolação
Enquanto o escândalo financeiro do Banco Master é enterrado, a oposição comemora o destravamento do PL da Dosimetria de Penas, que sobrestava a pauta do Senado desde o dia 4 de março de 2026. A matéria altera as regras da Lei de Execução Penal e do Código Penal com objetivo de salvar os condenados pela tentativa de abolição do Estado Democrático de Direito.
A eventual derrubada do veto presidencial, agora garantida pelo sacrifício da CPI, assegura a implementação imediata desse novo, e benevolente, cálculo de penas no país.
Foto: Geraldo Magela/senado
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