quarta-feira, maio 27, 2026

Testemunha-chave: amigo ouviu João dizer por semanas que mataria esposa e filha em Campo Grande

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O depoimento de um colega de trabalho de João Augusto Borges de Almeida deve ser uma das peças centrais do júri popular que começa nesta quarta-feira (27), em Campo Grande. O homem relatou à polícia que o acusado já comentava, dias antes do crime, sobre a intenção de matar a companheira, Vanessa Eugenia Medeiros, de 23 anos, e a filha do casal, Sophie Eugenia Borges de Medeiros, de apenas 10 meses. Segundo o relato dado durante a investigação, o colega trabalhava com João e ouviu dele, cerca de duas semanas antes do duplo feminicídio, que pretendia matar a esposa e a criança. Na época, porém, ele acreditou que as falas eram apenas uma “brincadeira” e não imaginou que o plano seria colocado em prática. Ainda conforme o depoimento, no dia do crime, João teria retornado do horário de almoço dizendo que já havia matado Vanessa e Sophie. Pouco depois, saiu novamente do local de trabalho, alegando que precisava ir a uma unidade de saúde fazer um curativo, já que estava com um dos dedos ensanguentado. A testemunha afirmou ainda que o acusado dizia querer matar Vanessa porque ela “não deixava ele fazer nada” e que pretendia matar a filha por conta da pensão alimentícia. O colega também contou aos investigadores que recebeu mensagens e áudios enviados por João, nos quais ele afirmava que os corpos estavam no porta-malas do carro e que estava indo comprar gasolina para queimá-los. As mensagens e áudios foram entregues à DHPP (Delegacia Especializada de Repressão a Homicídios e Proteção à Pessoa) e passaram a integrar o conjunto de provas do processo. O crime O caso aconteceu em 26 de maio de 2025 e provocou forte comoção em Campo Grande e em todo o estado. Conforme a denúncia do Ministério Público, João matou Vanessa com um golpe conhecido como “mata-leão” e, em seguida, esganou a filha de apenas 10 meses enquanto ela estava sobre a cama do casal. Após os assassinatos, ele teria retornado normalmente ao trabalho. Mais tarde, colocou os corpos no porta-malas do carro, comprou gasolina e levou mãe e filha para uma área afastada no Bairro Nova Campo Grande, onde ateou fogo nos cadáveres para tentar ocultar o crime. Os corpos carbonizados foram encontrados na noite do mesmo dia em um terreno na Rua Desembargador Ernesto Borges. Segundo a perícia, os cadáveres estavam irreconhecíveis. Um detalhe que chamou a atenção dos pesquisadores foi o fato de a bebê permanecer sobre o corpo da mãe mesmo após a carbonização. João Augusto foi preso em flagrante enquanto tentava registrar um boletim de ocorrência sobre o desaparecimento de Vanessa e Sophie em uma delegacia da Capital. A polícia suspeita que ele pretendia simular que a companheira havia fugido com a filha. Durante o interrogatório, segundo os autos, o acusado confessou o crime sem demonstrar arrependimento. Indagado pelos policiais, ele afirmou que “dormiu melhor que sempre” porque havia se “livrado de um problema”. O Ministério Público denunciou João Augusto por dois feminicídios qualificados e por ocultação e destruição de cadáveres. Entre as qualificadoras apontadas estão motivo torpe, meio cruel, recurso que dificultou a defesa das vítimas e a fantasia de Sophie ser menor de 14 anos.

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