segunda-feira, novembro 2, 2026

Trump desconvida primeiro-ministro do Canadá de Conselho da Paz

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, retirou nesta quinta-feira (22) o convite que havia feito ao primeiro-ministro do Canadá, Mark Carney, para que o país se juntasse ao Conselho da Paz, órgão criado e controlado pelo republicano com o objetivo de suplantar as Nações Unidas.

“Caro primeiro-ministro Carney: que esta carta sirva para comunicar que o Conselho da Paz retira o convite dirigido ao senhor a respeito da adesão do Canadá àquele que será o conselho de líderes mais prestigiado de todos os tempos”, escreveu Trump em sua rede, a Truth Social.

Carney chamou a atenção internacional esta semana por seus comentários sobre uma “ruptura” no sistema global de governança liderado pelos Estados Unidos em meio à investida de Trump para anexar a Groenlândia. Seu governo também disse que não pagaria para se juntar ao Conselho da Paz, inicialmente criado para governar a Faixa de Gaza como parte do acordo de cessar-fogo entre Israel e o grupo terrorista Hamas.

Durante discurso em Davos, na Suíça, nesta quarta-feira (21), Trump disse que o Canadá “vive por causa dos EUA”, e afirmou que Carney deveria agradecer por isso. “Lembre-se disso, Mark, da próxima vez que fizer suas declarações”, ameaçou Trump.

Trump quer cobrar US$ 1 bilhão de países que desejem um assento permanente no conselho. Entre os 24 que já aceitaram o convite de Trump, 17 têm regimes autocráticos ou ditatoriais, segundo o Instituto V-Dem, que monitora parâmetros democráticos anualmente. São os casos de Hungria, Qatar e Arábia Saudita, por exemplo, que mantêm relações próximas com o governo americano sob Trump.

O Brasil ainda não decidiu se aceitará o convite. Além do Canadá, países como Espanha, França, Noruega e Reino Unido já recusaram, com alguns citando preocupações com um esvaziamento da ONU.

“Este conselho tem a chance de ser um dos conselhos mais importantes já criados. É minha grande honra servir como presidente, fiquei muito honrado quando me pediram isso”, disse Trump na cerimônia de criação do conselho, embora seu governo tenha sido o idealizador e fundador do grupo.

A cerimônia de assinatura ocorreu às margens do Fórum Econômico Mundial em Davos, na Suíça -evento já ofuscado pela investida tarifária e diplomática de Trump, ora suspensa, de anexar a Groenlândia. O anúncio teve a presença de alguns dos líderes que já aceitaram participar do conselho, como o argentino Javier Milei, o indonésio Prabowo Subianto e o húngaro Viktor Orbán.

O Brasil ainda avalia se participa do conselho. O trabalho da diplomacia brasileira desde que o presidente Lula recebeu o convite tem sido de conversar com países também convidados. Se por um lado a tradição diplomática brasileira busca equilíbrio e participação em espaços de diálogo internacional, por outro vê a iniciativa americana como uma tentativa de esvaziar a ONU como espaço legítimo de debate global.

O Conselho da Paz lançado por Donald Trump é uma tentativa de suplantar ONU; apesar de já lançada, estrutura da organização continua pouco clara

Folhapress | 06:40 – 23/01/2026

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