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Turquia emite um mandado de detenção contra Netanyahu

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Vocêm tribunal de Istambul, na Turquia, emitiu nesta sexta-feira mandados de prisão contra 37 altos funcionários do governo israelense, incluindo o primeiro-ministro Benjamin Netanyahu. As acusações envolvem “genocídio e crimes contra a humanidade” que Israel teria “cometido sistematicamente” em Gaza.

Entre os acusados estão, além de Netanyahu, o ministro da Defesa Yisrael Katz, o ministro da Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir e o chefe do Exército, tenente-general Eyal Zamir.

Os mandados de prisão foram emitidos a pedido da Procuradoria-Geral de Istambul, que, segundo comunicado citado pela agência de notícias turca Anadolu, afirmou que a decisão é o “resultado do genocídio sistemático e dos crimes contra a humanidade cometidos pelo Estado de Israel em Gaza até o momento”.

A procuradoria citou como exemplo o caso de Hind Rajab, uma menina de seis anos morta a tiros por soldados israelenses em 29 de janeiro de 2024.

“Desde 7 de outubro de 2023, essas ações têm se intensificado diariamente. O ataque de 17 de outubro de 2023 ao Hospital Batista Al-Ahli causou a morte de 500 pessoas; em 29 de fevereiro de 2024, soldados israelenses destruíram deliberadamente equipamentos médicos; em 21 de março de 2025, o Hospital da Amizade Turco-Palestina foi bombardeado; várias outras instalações de saúde também foram atacadas de forma semelhante; Gaza foi colocada sob bloqueio, e as vítimas ficaram impedidas de receber ajuda humanitária”, destacou o comunicado.

O documento também mencionou o incidente com a Flotilha Global Sumud, em que ativistas que se dirigiam a Gaza para entregar ajuda humanitária foram atacados pela Marinha israelense em águas internacionais.

“À luz das provas obtidas, determinou-se que os funcionários do Estado de Israel são criminalmente responsáveis pelos atos sistemáticos de ‘crimes contra a humanidade’ e ‘genocídio’ cometidos em Gaza, bem como pelas ações contra a Frota Global Sumud”, afirmou a procuradoria.

Assim, foi determinado que “os suspeitos não poderiam ser presos, uma vez que não se encontram atualmente na Turquia”, mas o Tribunal Criminal da Paz de Istambul emitiu “mandados de prisão contra 37 suspeitos, incluindo o primeiro-ministro israelense Benjamin Netanyahu, o ministro da Defesa Yisrael Katz, o ministro da Segurança Nacional Itamar Ben-Gvir, o chefe do Estado-Maior General Eyal Zamir e o comandante da Marinha David Saar Salama, sob as acusações de ‘crimes contra a humanidade’, conforme o artigo 77, e ‘genocídio’, conforme o artigo 76 do Código Penal turco”.

Turquia é um dos países mais críticos da guerra em Gaza

A Turquia, um dos países mais críticos da guerra iniciada na Faixa de Gaza pelo exército israelense após o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023, já havia se juntado ao processo de genocídio contra Tel Aviv apresentado pela África do Sul no Tribunal Internacional de Justiça (TIJ) no ano passado.

Desde 10 de outubro, está em vigor um acordo de cessar-fogo entre Israel e o Hamas na Faixa de Gaza, a primeira fase de um plano de paz proposto pelo então presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, após negociações indiretas mediadas pelo Egito, Qatar, Estados Unidos e Turquia.

Essa fase da trégua envolveu a retirada parcial do exército israelense até a chamada “linha amarela” — demarcada pelos Estados Unidos como fronteira entre Israel e Gaza —, além da libertação de 20 reféns mantidos pelo Hamas e de 1.968 prisioneiros palestinos.

O cessar-fogo busca encerrar dois anos de guerra em Gaza, iniciada após o ataque do Hamas que deixou cerca de 1.200 mortos e 251 sequestrados em Israel.

A retaliação israelense resultou em pelo menos 68.876 mortos — entre eles mais de 20 mil crianças — e 170.679 feridos, a maioria civis, segundo números atualizados pelas autoridades locais (incluindo vítimas de violações do cessar-fogo por parte de Israel), considerados confiáveis pela ONU.

Além disso, há milhares de desaparecidos, soterrados sob escombros ou espalhados pelas ruas, e muitos outros morreram de doenças, infecções e fome, resultado de mais de dois meses de bloqueio à ajuda humanitária e da posterior entrada limitada de mantimentos, distribuídos em pontos considerados seguros pelo exército — que, por vezes, abria fogo contra civis famintos.

A ONU já havia declarado Gaza em grave crise humanitária, com mais de 2,1 milhões de pessoas em situação de fome, e registrou “o maior número de vítimas já observado” em seus estudos sobre segurança alimentar no mundo. Em 22 de agosto, a organização declarou oficialmente o estado de fome na cidade de Gaza e arredores.

No fim de 2024, uma comissão especial da ONU acusou Israel de genocídio em Gaza e de usar a fome como arma de guerra, situação também denunciada pela África do Sul no Tribunal Internacional de Justiça — e classificada da mesma forma por diversas organizações internacionais de defesa dos direitos humanos.

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