A arrecadação da Prefeitura de Campo Grande cresceu 4,32% nos primeiros quatro meses de 2026 e chegou a R$ 1,28 bilhão. Apesar do aumento nas receitas, vereadores cobraram nesta sexta-feira (29) que os recursos sejam revertidos em melhorias para a população, especialmente nas áreas de saúde, infraestrutura e zeladoria. As discussões ocorreram durante audiência pública de prestação de contas realizada na Câmara Municipal.
Os dados apresentados pela Secretaria Municipal de Fazenda mostram que o município arrecadou mais do que o mesmo período do ano passado, quando a receita somou R$ 1,23 bilhão. Mesmo com o crescimento da arrecadação, parlamentares afirmaram que os problemas enfrentados pelos moradores continuam os mesmos.
A vereadora Luiza Ribeiro questionou a diferença entre os números apresentados pela prefeitura e a realidade enfrentada pela população. “Como está crescendo a receita, mas a sociedade não recebe o serviço na ponta?”, perguntou durante a audiência, citando reclamações sobre buracos nas ruas, falta de medicamentos, demora no atendimento da saúde e ausência de vagas hospitalares.
O vereador Ronilço Guerreiro fez críticas semelhantes. Segundo ele, os moradores não percebem os efeitos do aumento da arrecadação no dia a dia. “As pessoas estão tristes porque o buraco não é tampado. Estão tristes porque buscam atendimento e a fila continua enorme nos postos de saúde”, afirmou.
IPTU cresce pouco apesar de reajustes
Um dos pontos que chamou a atenção dos vereadores foi a arrecadação do IPTU. Nos quatro primeiros meses do ano, o imposto gerou R$ 367,1 milhões para os cofres municipais, alta de apenas 0,34% em relação ao mesmo período de 2025, quando foram arrecadados R$ 365,9 milhões.
O presidente da Comissão de Finanças e Orçamento, vereador Otávio Trad, destacou que o resultado foi considerado baixo diante dos reajustes aplicados ao imposto e da redução de descontos concedidos aos contribuintes.
Já o ISS, principal tributo ligado à atividade econômica da cidade, apresentou crescimento mais expressivo. A arrecadação passou de R$ 224,9 milhões para R$ 239,1 milhões, aumento de 6,34%.
Gastos com pessoal seguem acima do limite prudencial
Outro tema debatido foi o aumento das despesas da prefeitura. Os gastos com pessoal cresceram 15% em relação ao mesmo período do ano passado e hoje consomem 53,9% da Receita Corrente Líquida do município. O índice permanece acima do limite prudencial estabelecido pela Lei de Responsabilidade Fiscal, que é de 51,3%.
O vereador Maicon Nogueira alertou que o cenário pode dificultar futuras negociações salariais com os servidores municipais e cobrou explicações sobre atrasos em pagamentos de contratos relacionados à saúde.
O secretário municipal de Fazenda, Isaac José de Araújo, atribuiu parte do aumento da folha aos reajustes concedidos aos servidores, principalmente da educação. Segundo ele, novos aumentos podem elevar ainda mais os gastos com pessoal.
Saúde recebe mais que o mínimo constitucional
Os números apresentados mostram que a prefeitura aplicou 22,8% da receita em ações e serviços de saúde, acima do mínimo constitucional de 15%. Na educação, o investimento chegou a 19,25%, abaixo dos 25% exigidos por lei, mas a prefeitura afirma que a meta deverá ser atingida até o fim do ano.
Durante a audiência, o secretário também reconheceu a existência de atrasos em pagamentos a fornecedores, embora tenha negado que o valor das dívidas chegue aos R$ 200 milhões mencionados por alguns parlamentares. Segundo ele, a prefeitura trabalha em cronogramas para regularizar os débitos.
A prestação de contas do Executivo é realizada a cada quatro meses e tem como objetivo apresentar aos vereadores e à população os dados de arrecadação e despesas do município.

