Angélica Saraiva de Sá, a “Angeliquinha”, está detida na sede da Polícia Federal em Corumbá (MS) enquanto aguarda decisão judicial para recambiamento. Ela foi presa em Santa Cruz De La Sierra, na Bolívia, terça-feira (22), em ação conjunta com Forças de Segurança de Mato Grosso. Ela estava foragida desde 17 de agosto de 2025, quando fugiu da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá (MT).
Imagens divulgadas pela imprensa boliviana mostram Angélica com colete a prova de balas sendo escoltada por policiais da Fuerza Especial de Lucha Contra el Narcotráfico (FELCN) da Bolívia.
Ela aparece de casaco vermelho, calça jeans e com a cabeça baixa. Ao lado, autoridades bolivianas se preparam para uma entrevista coletiva sobre a captura da fugitiva.
Segundo a Polícia Civil de Mato Grosso a criminosa será recambiada para após deliberações do Poder Judiciário do Mato Grosso do Sul. Ainda não há data para a transferência de um estado a outro.
Veja imagens de Angélica sendo apresentada às autoridades.
Para as forças de segurança, a captura da foragida em outro país demonstra que facções criminosas utilizam outros países como rota de fuga ou tentativa de ocultação de seus integrantes.
A ação contou com a atuação da Polícia Civil de Mato Grosso, por meio da Gerência de Combate ao Crime Organizado, da Delegacia Especializada de Repressão ao Crime Organizado (GCCO/Draco) e da Gerência Estadual de Polinter (Gepol), em conjunto com a Polícia Boliviana.
Durante o período de mais de um ano em que permaneceu foragida na Bolívia, Angélica passou por uma série de cirurgias plásticas e procedimentos estéticos como implante de silicone nos seios, drenagem, preenchimento labial, alongamento do queixo e intervenções relacionadas à harmonização facial.

Da fuga à prisão um ano depois
“Angeliquinha” como é conhecida, é apontada pelas Forças de Segurança como uma das lideranças da facção criminosa Comando Vermelho com atuação no extremo norte de Mato Grosso.
As investigações apontam que Angeliquinha exercia influência sobre atividades criminosas desenvolvidas na região de Alta Floresta, incluindo ações relacionadas ao tráfico de drogas, extorsões e exploração de atividades ilícitas em áreas de garimpo.

Em 2022 teria ordenado as mortes de:
- Jefferson Vale Paulino, de 27 anos;
- Alan Rodrigues Pereira, 36 anos;
- João Vitor da Silva, 19 anos;
- Caio Paulo da Silva, 31 anos.
Ela estava foragida do sistema prisional desde 17 de agosto de 2025, quando fugiu da Penitenciária Feminina Ana Maria do Couto May, em Cuiabá. Além dela, fugiu também a detenta Jéssica Leal da Silva, 36, vulgo “Arlequina”, também envolvida com facção e líder criminosa na região de Juína (MT).
Elas teriam serrado duas grades da cela 11, no Raio 4, onde estavam custodiadas. Em seguida, romperam a grade superior da cobertura, tiveram acesso ao pavilhão e depois à área externa do presídio. A fuga ocorreu pela obra da fábrica na penitenciária, cujo portão estava apenas encostado e sem vigilância.
Na época da fuga, a Sejus informou que havia iniciado uma investigação interna para apurar a fuga das duas detentas e que a Corregedoria Geral e a Inteligência da SEJUS estariam à frente das apurações.

Angélica foi presa em 22 de setembro de 2026, um ano, um mês e uma semana após a fuga. Ela possuía seis mandados de prisão em aberto, expedidos ao longo de 2026, período em que permaneceu foragida.
Ela também possui mais de 260 anos em condenações decorrentes de diferentes crimes, entre eles homicídios, tráfico de drogas e organização criminosa.
Operação Showdown
Em março deste ano, a Polícia Civil deflagrou a Operação Showdown para desarticular o núcleo familiar ligado à investigada e responsável, segundo as investigações, por dar suporte às atividades criminosas e auxiliar na lavagem de dinheiro obtido pelo grupo criminoso.
A operação cumpriu 31 ordens judiciais, sendo quatro mandados de prisão, sete de busca e apreensão, seis sequestros de veículos, quatro sequestros de imóveis, sete bloqueios de contas bancárias e três suspensões de pessoas jurídicas.

Entre os alvos estavam o pai, a filha e o genro da líder da facção, apontados como integrantes do núcleo familiar que atuava no apoio ao grupo criminoso e na movimentação de recursos de origem ilícita.
As investigações identificaram a movimentação de mais de R$ 20 milhões em aproximadamente um ano e sete meses, valores considerados incompatíveis com a renda declarada pelos investigados.
Segundo a apuração, empresas e outros negócios eram utilizados para dar aparência de legalidade aos recursos provenientes das atividades criminosas.


