Cheio de contatos e de amantes por Campo Grande, o diretor-presidente da Funesp, Sandro Trindade Benites, teria recebido informações privilegiadas de dentro da Deam (Delegacia Especializada de Atendimento à Mulher) enquanto estava sendo denunciado por violência doméstica contra uma ex-namorada.
Conforme o documento do advogado da vítima, protocolado no Tribunal de Justiça de Mato Grosso do Sul, a servidora Jakeline Severina de Santana seria companheira extraconjugal de Sandro, sendo exonerada da função que atuava na Fundação Municipal de Esporte e depois transferida para a Secretaria Executiva da Mulher, atuando dentro da Deam após determinação da prefeita Adriane Lopes (PP) em maio de 2025.
No dia da denúncia, feita no dia 7 de março de 2026, a vítima foi até a unidade policial para buscar acolhimento, momento em que foi atendida por Jakeline. Na ocasião, Sandro não sabia que ela estava na delegacia e nem tinha conhecimento de que seria denunciado.
Após os trâmites legais de registro e pedido de medidas protetivas, que proíbem o suspeito de se aproximar ou manter qualquer tipo de contato com ela, a mulher recebeu duas mensagens às 20h42, que foram rapidamente apagadas. Cerca de 3 minutos depois, o ex-secretário tentou ligar para ela, mas não foi atendido.
Por conta disso, a defesa da vítima pede que a servidora seja ouvida e incluída no processo como participante da violência vivida pela ex-namorada de Sandro, já que ela teria avisado o ex-secretário sobre a denúncia.
“A eventual conduta de repasse de informações ao agressor pode configurar, em tese, facilitação do descumprimento de medida protetiva, contribuindo para a violação da ordem judicial e expondo a vítima a risco concreto, o que agrava substancialmente a gravidade dos fatos (…) Não se pode admitir que estrutura estatal destinada à proteção da mulher seja instrumentalizada, direta ou indiretamente, para viabilizar o acesso do agressor a informações privilegiadas, sob pena de completa subversão da finalidade da política pública de proteção”, diz a defesa.
Além disso, os advogados pedem o agravamento das penalidades da quebra de medida protetiva cometida, podendo ser decretada ainda uma medida mais ‘gravosa’ contra Sandro. Ou seja, em outras palavras, o ex-secretário pode ser preso.
Agora, os advogados aguardam decisão judicial, uma vez que o documento foi devidamente protocolado nesta segunda-feira.
A reportagem procurou a prefeitura de Campo Grande, a Deam e Sandro Benites para posicionamento e aguarda retorno.


