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Voltar à Terra é “mais duro” do que viajar para o espaço

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UM astronauta americana Peggy Whitson disse que voltar ao planeta Terra é mais duro do que viajar para o espaço, e destacou o papel da fisiologia na recuperação e readaptação do corpo à gravidade após o retorno. “A gravidade é uma porcaria”, disse, em tom de brincadeira, diante de uma plateia de alunos e professores da Faculdade de Motricidade Humana (FMH), da Universidade de Lisboa.

Astronauta, bioquímica e vice-presidente da Axiom Space, Peggy Whitson esteve nesta terça-feira (9) na FMH para a assinatura de um memorando de entendimento no programa da Axiom Space University Alliance, que a faculdade passou a integrar.

Em uma sessão dedicada aos “horizontes do espaço”, ela compartilhou sua trajetória, episódios das diversas viagens ao espaço realizadas como astronauta da Nasa e, mais recentemente, da Axiom, e lições que aprendeu não apenas durante as missões que integrou e comandou, mas também durante os 10 anos em que já trabalhava na Nasa e, ano após ano, era rejeitada do programa espacial.

Perante um auditório de especialistas em motricidade humana, muitas das perguntas que a primeira mulher a comandar uma missão na Estação Espacial Internacional (ISS, na sigla em inglês) recebeu, foram sobre como se preparar o corpo humano para as condições extremas a que será exposto no espaço e as alterações experienciadas.

“Estar no espaço é a melhor parte de estar no espaço“, começou dizendo, explicando que a microgravidade força o corpo e o cérebro a funcionarem de maneira diferente daquela a que estão acostumados.

No entanto, e após passar quase dois anos de sua vida no espaço, entre as diversas expedições em que participou, especialmente na ISS, onde chegou a ficar quase 300 dias seguidos, Peggy Whitson admite que, fisicamente, o mais duro é voltar ao planeta Terra.

Enquanto estão na ISS, os astronautas continuam treinando para minimizar problemas como a atrofia muscular, a perda de massa óssea (que acontece de forma mais rápida no espaço) e a deterioração neuromotora, mas o impacto no corpo humano é, ainda assim, significativo, mesmo em missões mais curtas.

“Há problemas de curta duração e problemas de longa duração. A fisologia muda muito”, disse, compartilhando que, de sua experiência, o impacto do retorno à gravidade da Terra é maior no sistema neurovestibular e na coordenação.

O papel dos fisiologistas é, portanto, essencial, ressaltou Peggy Whitson, lembrando que na última missão da Axiom em que participou à ISS, e que durou apenas 16 dias, em 2025, muitos dos protocolos foram alterados e “o retorno foi muito mais fácil”.

Leia Também: Bill Gates admite “grave erro de julgamento” sobre Epstein

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