Um em cada cinco adolescentes brasileiros de 12 a 17 anos que usam a internet foi vítima de alguma forma de exploração ou abuso sexual facilitado pela tecnologia no período de um ano. O percentual de 19% representa cerca de 3 milhões de meninas e meninos no país.
O alerta ganha destaque neste 24 de agosto, Dia da Infância, data voltada à reflexão sobre as condições e os direitos de crianças e adolescentes. Instituída pelo Unicef em 1995, a data também chama atenção para a necessidade de proteção desse público no ambiente digital.
Os dados fazem parte do relatório “Disrupting Harm in Brazil: Enfrentando a violência sexual contra crianças facilitada pela tecnologia”, divulgado em março de 2026 pelo UNICEF Innocenti, em parceria com a ECPAT International e a Interpol. A pesquisa ouviu adolescentes de 12 a 17 anos e pais ou responsáveis em diferentes regiões brasileiras.
Entre os adolescentes entrevistados, 14% disseram ter recebido imagens de conteúdo sexual sem querer, 9% receberam pedidos para enviar fotos ou vídeos íntimos e 5% receberam ofertas de dinheiro ou presentes em troca desse tipo de material.
Também foram relatadas ameaças de divulgação de imagens íntimas, compartilhamento sem consentimento, propostas de encontros com finalidade sexual e uso de inteligência artificial para produzir conteúdos sexuais falsos.
As situações ocorreram em redes sociais, aplicativos de mensagens, jogos online e outras plataformas. O relatório mostra que a tecnologia pode ser usada para criar proximidade com a vítima, estabelecer uma relação de confiança e, posteriormente, praticar coerção, extorsão ou obter conteúdo sexual.
Outro dado que chama atenção é que 34% das vítimas não contaram a ninguém o que aconteceu. Vergonha, dificuldade para identificar a quem pedir ajuda e medo de não serem acreditadas aparecem entre os motivos. Em 49% dos casos, o abuso ou a exploração foi cometido por alguém conhecido da vítima.
Defensoria de MT alerta famílias
Em Mato Grosso, a Defensoria Pública reforça que a proteção de crianças e adolescentes passa pelo diálogo dentro de casa, pelo acompanhamento das plataformas utilizadas e pela criação de um ambiente em que os jovens se sintam seguros para pedir ajuda.
Segundo os defensores públicos Geraldo Vendramini e Alysson Ourives, responsáveis não devem limitar o acompanhamento apenas ao tempo que crianças e adolescentes passam diante das telas. É importante conhecer as redes sociais, aplicativos e jogos utilizados, observar configurações de privacidade e conversar sobre os riscos existentes no ambiente virtual.

A instituição também chama atenção para mudanças de comportamento que podem indicar que algo está errado, como medo, ansiedade, isolamento, abandono repentino das redes sociais ou receio de manter contato com determinada pessoa.
Em caso de suspeita ou confirmação de violência, mensagens, conversas, nomes de usuários, links e outros registros que possam ajudar na apuração devem ser preservados. Já imagens de conteúdo sexual envolvendo crianças ou adolescentes não devem ser encaminhadas ou compartilhadas, pois a circulação do material aumenta a exposição da vítima.
A Defensoria Pública de Mato Grosso presta assistência jurídica gratuita às famílias que precisam de orientação e pode atuar para garantir medidas de proteção, acolhimento e preservação dos direitos de crianças e adolescentes vítimas de violência.

