segunda-feira, abril 27, 2026

4 em cada 10 brasileiras não reconhecem agressões vividas como violência contra a mulher

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(FOLHAPRESS) – Apesar do debate público, o novo Índice de Conscientização sobre Violência contra as Mulheres, lançado neste mês de novembro por Instituto Natura e a Avon, mostra que a sociedade brasileira ainda não possui informação nem sabe lidar com esses tipos de crimes.

A plataforma, que vai medir periodicamente a conscientização da população em relação ao tema, mostra que 4 em cada 10 brasileiras não reconhecem agressões de forma espontânea que elas próprias viveram como violência contra a mulher. Além disso, 62% dizem não ter informação suficiente para ajudar vítimas.

Para a elaboração do índice, foram entrevistadas 4.224 pessoas, homens e mulheres, acima de 18 anos. As entrevistas ocorreram de forma presencial e online entre junho e agosto de 2025, e levaram em conta os recortes de região e gênero recomendados pelo IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), além de estratos de classe social, de acordo com renda familiar e escolaridade do entrevistado.

Entre os resultados, o índice aponta que, entre as brasileiras que participaram da pesquisa, 98% afirmam que tomariam uma atitude, em especial chamar a polícia, se sofressem algum tipo de violência contra a mulher. Porém, apenas 73% das que apontaram que já sofreram violência doméstica de fato buscaram ajuda e a maioria o fez na esfera privada, sem acionamento da polícia ou formalização de denúncia.

A dificuldade de reconhecer a agressão é um dos pontos mais sensíveis da pesquisa. “A gente ainda tem no Brasil uma compreensão de violência muito atrelada à física, ao olho roxo”, diz Beatriz Accioly, antropóloga e líder de Políticas Públicas pelo Fim da Violência Contra Meninas e Mulheres no Instituto Natura.

Segundo ela, outras formas de agressão, como a psicológica, a moral e a patrimonial, ainda são pouco compreendidas e, por isso, muitas mulheres não se identificam como vítimas. Quando os diferentes tipos de violência são apresentados, no entanto, elas acabam reconhecendo já terem passado por essas situações.

Accioly explica que saber da existência da violência não é o mesmo que estar conscientizado. “Conscientização é quando o conhecimento, os valores e as atitudes se alinham. E é só assim que transformamos a sociedade.”

Entre aqueles que dizem se lembrar de terem sido impactados por campanhas de conscientização (62%), a informação desempenhou um importante papel, sendo que 42% afirmam que as campanhas ajudaram no esclarecimento do que é violência de gênero e 37% descobriram como e onde se pode denunciar.

A antropóloga destaca que o baixo nível de conscientização reflete uma realidade ainda muito enraizada na sociedade. Segundo ela, o tema ainda não é tratado como prioritário, o que se reflete nos resultados do índice e confirma percepções já visíveis empiricamente.

O índice mostra ainda algumas contradições na sociedade, como o fato de 96% dos homens e mulheres entrevistados afirmarem que têm alguma responsabilidade -e, por outro lado, 60% apontarem que questões do casal devem ser resolvidas pelo próprio casal e 15% afirmarem que não ajudariam uma mulher por achar que “não é da sua conta”.

Além da falta de informação, a pesquisadora aponta um traço cultural que dificulta a identificação do crime.

“Ainda percebemos muito uma naturalização da violência e, mais do que isso, um processo social de legitimação. Isso mostra a resistência à ideia de que a violência contra a mulher é um crime que deve ser tratado pelo Estado, com gravidade.”

A pesquisadora avalia que a dificuldade de nomear o problema impede que ele seja enfrentado de maneira efetiva. Segundo ela, enquanto comportamentos de controle forem vistos como ciúme e agressões como “perda de cabeça”, a violência não receberá o tratamento que merece.

“Como é que as pessoas vão pedir ajuda e proteção para uma sociedade que não sabe apoiar e proteger?”, questiona.

Quando comparamos o índice das regiões brasileiras, chama atenção a situação da Amazônia Legal. O nível de conscientização nessa área é ainda menor, segundo Accioly, o que reforça a necessidade de pensar ações específicas para a realidade amazônida.

Ela destaca que o Instituto Natura tem buscado apoiar governos locais na criação de políticas públicas. “Não adianta a gente falar para as mulheres buscarem ajuda e as políticas públicas ficarem inexistentes ou ineficientes.

Este ano, por exemplo, lançamos em Alagoas a primeira política estadual brasileira totalmente dedicada a articular e qualificar a rede de atendimento a mulheres em situação de violência, o Alagoas Lilás, e desejamos que isso se replique pelo Brasil.”

COMO BUSCAR AJUDA

– No caso de urgência, ligue para o 190
– Para denúncias, ligue para o 180

– Para atendimento multiprofissional, em São Paulo, vá à Casa da Mulher Brasileira (r. Vieira Ravasco, 26, Cambuci, tel.: 3275-8000) -local funciona 24 horas todos os dias. A mulher tem acesso a delegacia, Ministério Público, Tribunal de Justiça e alojamento provisório se não puder voltar para casa.

– Na Ouvidoria das Mulheres, por meio de um formulário online.
– Projetos como Justiça de Saia, MeTooBrasil e Instituto Survivor dão apoio jurídico e psicológico para as mulheres vítimas de abuso e violência doméstica.

Denise Tizo de Oliveira, de 27 anos, foi encontrada morta ao lado do marido, Vinícius Franco de Farias, em casa no Jardim Santa Lúcia, em Campinas (SP). Grávida de oito meses, a jovem era lembrada por amigos como uma mulher forte e inspiradora. O caso é tratado como feminicídio

Notícias ao Minuto | 07:40 – 11/11/2025

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