Mato Grosso do Sul chegou ao dado alarmante de 21 casos de feminicídios registrados em 2026. Até o mês de agosto, período do Agosto Lilás, mês de enfrentamento á violência doméstica, 21 vidas foram tiradas apenas pelo fato de serem mulheres.
O número surpreende ainda mais: o assassinato de Nathalia Rodrigues Nogueira, de 26 anos, ocorrido na madrugada desta quinta-feira (6), contabilizou o 3° feminicídio no mês do Agosto Lilás e o 8° em menos de um mês. Desta forma, houve, em média, um feminicídio a cada 3,4 dias em MS nesse período.
No mês de conscientização e ao enfrentamento da violência contra a mulher, foram mortas, além de Nathália, Rose Batista Cabreira, de 41 anos, assassinada no dia 2 de agosto em Dourados, e Adriana Barrios, de 22 anos, morta pelas mãos do companheiro há menos de 24h do feminicídio de Nathália, em Paranhos nesta quarta-feira (5).
Além dos feminicídios, os dados do painel de monitoramento da Secretaria de Estado de Justiça e Segurança Pública (Sejusp) apontam que, somente em 2026, o Estado já contabiliza 12.311 vítimas de violência doméstica, além de 11.674 pedidos de medidas protetivas de urgência.
Medidas protetivas crescem
O levantamento mostra que os pedidos de medidas protetivas vêm aumentando ao longo da última década.
Em 2016, foram registradas 9.160 solicitações. O número praticamente dobrou até atingir o recorde de 18.187 pedidos em 2025. Neste ano, até o momento, já são 11.674 solicitações.
As concessões acompanham essa tendência. Das medidas requeridas em 2026, 11.133 já foram deferidas pela Justiça, mantendo um padrão observado nos últimos anos: a maior parte das mulheres que procura o Judiciário consegue obter a proteção prevista na Lei Maria da Penha.
Outro dado que chama atenção é o crescimento das prorrogações das medidas protetivas. Quase inexistentes até 2022, elas passaram para 637 em 2023, 1.182 em 2024, alcançaram 1.835 em 2025 e já somam 1.220 neste ano. O aumento indica que muitas vítimas permanecem em situação de risco mesmo após o prazo inicial da medida, exigindo a manutenção da proteção judicial.
Mulheres adultas são as principais vítimas
O perfil das vítimas mostra que a violência doméstica atinge principalmente mulheres em idade adulta.
A maior concentração dos casos ocorre entre mulheres de 30 a 59 anos, seguida pela faixa de 18 a 29 anos. Casos envolvendo adolescentes, crianças e idosas aparecem em proporções significativamente menores.
Quanto à raça/cor, a maioria das vítimas registradas é composta por mulheres pardas (110.779), seguidas por brancas (55.774) e pretas (9.024). O painel também contabiliza vítimas indígenas, amarelas e registros sem informação.
Violência acontece dentro de casa
Os dados reforçam uma característica já conhecida da violência doméstica: o agressor, na maioria das vezes, mantém ou manteve vínculo afetivo com a vítima.
Os cônjuges lideram os registros, com 41.367 ocorrências, seguidos pelos conviventes, que somam 22.688 casos. Também aparecem pais, filhos, namorados, irmãos, cunhados, genros, noras e sogros entre os autores das agressões.
O cenário demonstra que a violência ocorre predominantemente no ambiente familiar ou dentro de relacionamentos afetivos, tornando ainda mais importante a denúncia e o acesso rápido às medidas de proteção.
21 casos de feminicídio em 2026
- Josefa dos Santos – 44 anos – assassinada em 16/01 na cidade de Bela Vista;
- Rosana Candia Ohara – 62 anos – assassinada em 24/01 na cidade de Corumbá;
- Nilza de Almeida Lima – 50 anos – assassinada em 22/02 na cidade de Coxim;
- Beatriz Benevides – 18 anos – assassinada em 25/02 na cidade de Três Lagoas;
- Liliane de Souza Bonfim Duarte – 51 anos – atacada em 03/03 em Ponta Porã e morte constatada em 06/03 em Dourados;
- Leise Aparecida Cruz, de 41 anos – assassinada em 06/03 em Anastácio;
- Ereni Benites – 44 anos – assassinada em incêndio em 08/03 em Paranhos;
- Fátima Aparecida da Silva – 58 anos – assassinada em 23/03 em Selvíria;
- Marlene Brito Rodrigues – 59 anos – assassinada em 06/04 em Campo Grande;
- Vera Lúcia da Silva – 41 anos – assassinada em 12/04 em Eldorado;
- Zelita Rodrigues de Souza – 77 anos – assassinada em 30 de abril em Mundo Novo;
- Fabíola Marcotti – 51 anos – assassinada em 18 de maio em Campo Grande;
- Maria do Carmo – 66 anos – assassinada em 28 de junho em Naviraí;
- Paula de Souza Conceição – 29 anos – assassinada em 11 de julho em Fátima do Sul.
- Rosenilda de Oliveira Candelario – 48 anos – assassinada em 17 de julho em Nioaque
- Terezinha Nantes de Arruda – 54 anos – assassinada em 27 de julho em Campo Grande
- Ana Carolina Goes – de 45 anos – assassinada no dia 30 de julho em Água Clara
- Adrielle Encarnação Rodrigues – assassinada no dia 31 de julho em Corumbá
- Rose Batista Cabreira – de 41 anos – assassinada no dia 2 de agosto em Dourados
- Adriana Barrios – 22 anos – assassinada no dia 5 de agosto em Paranhos.
- Nathalia Rodrigues Nogueira – de 26 anos – assassinada no dia 6 de agosto em Rio Verde de Mato Grosso.


