domingo, setembro 27, 2026

Aos 84 anos, violonista que aprendeu a tocar sozinho aos 14 usa a música para exercitar a memória em MT

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Aos 84 anos, basta Fernandes Máximo Evangelista, que mora em Cuiabá, pegar o violão para que músicas e lembranças de outras épocas voltem à memória. O instrumento o acompanha desde os 14 anos e, sete décadas depois, continua sendo uma forma de recordar histórias, pessoas e momentos vividos.

“Felicidade e saudade. Já fiz muita serenata. Serenata eu já fiz bastante. Serenata e tocar em restaurante, em bar assim, já toquei muito”, relembra Fernandes.

A relação com o violão começou ainda na adolescência. Sem professor, Fernandes aprendeu sozinho, ouvindo os artistas de que gostava pelo rádio e acompanhando apresentações pela televisão.

Com o passar dos anos, a música deixou de ser apenas um passatempo. Vieram as serenatas e as apresentações em restaurantes e bares. Hoje, tocar também é uma maneira de manter a mente ativa.

“Pelas palavras que você fala na música, você volta ao passado, você fica relembrando, né? O passado. E o passado sempre fala alguma coisa”, conta.

Música coloca memória e coordenação para trabalhar

A percepção de Fernandes tem relação com a forma como o cérebro responde à música. Ao tocar um instrumento, diferentes habilidades são acionadas ao mesmo tempo, entre elas memória, coordenação motora e percepção dos sons.

Essa capacidade de o cérebro criar e reorganizar conexões ao longo da vida é chamada de neuroplasticidade.

Segundo o neurocirurgião Felipe Guardini, a música se diferencia de outros estímulos cognitivos justamente por também exigir movimentos coordenados.

“A música, nesse cenário, é muito importante porque ela também traz a dinâmica motora. Diferente do idioma, por exemplo, em que você tem uma dinâmica mais de evocação de memória, a música exige coordenação nos diferentes tipos de instrumento”, explica.

De acordo com o especialista, essa combinação estimula conexões em diferentes regiões do cérebro e pode contribuir para a saúde cognitiva ao longo do envelhecimento.

Aos 84 anos, Fernandes encontra no violão uma forma de exercitar a memória e relembrar histórias do passado.

Não basta apenas exercitar a mente

A música, porém, faz parte de um conjunto de hábitos importantes para um envelhecimento saudável. Segundo Guardini, estímulos cognitivos devem estar associados à prática de atividade física e a uma alimentação equilibrada.

O especialista chama a atenção principalmente para a importância de continuar realizando atividades que desafiem o cérebro ao longo dos anos, inclusive depois da aposentadoria.

Para Fernandes, esse exercício acontece naturalmente cada vez que os dedos encontram as cordas do velho companheiro. Aos 84 anos, ele continua tocando as músicas que aprendeu ao longo da vida e, entre um acorde e outro, reencontra lembranças construídas durante sete décadas. “Pelas palavras que você fala na música, você volta ao passado”, resume.

FONTE: PRIMEIRA PÁGINA

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