Mato Grosso do Sul aparece entre os estados com melhores indicadores de mobilidade social do país, segundo dados do Atlas da Mobilidade Social. O levantamento mede as chances de uma pessoa alcançar, na vida adulta, uma faixa de renda superior àquela em que nasceu.
Na edição de 2026, o Centro-Oeste aparece como a região com maior chance de ascensão social. Em Mato Grosso do Sul, 21,82% das pessoas que pertenciam à faixa intermediária de renda conseguiram chegar, na vida adulta, ao grupo dos 25% mais ricos.
Os números, porém, não significam que as oportunidades estejam distribuídas da mesma forma em todo o estado.
Segundo o economista Francis Régis Gonçalves, doutor em Desenvolvimento Regional, municípios apresentam diferenças econômicas, sociais e territoriais que interferem nas possibilidades de ascensão.
Ele cita especialmente cidades da faixa de fronteira internacional, onde a população enfrenta dificuldades ligadas à renda, educação, mercado de trabalho e acesso a serviços.
“É imprescindível o olhar atento da gestão pública — prefeituras, Estado e Governo Federal — às especificidades dos municípios sul-mato-grossenses em faixa de fronteira internacional”, afirmou.
Para o economista, investimentos em educação, formação técnica e qualificação profissional estão entre as medidas que podem ampliar as oportunidades.
Educação como caminho
Em Três Lagoas, a estudante Saica Floreal vê na formação profissionalizante uma possibilidade de melhorar as condições de vida no futuro.
Ela deixou a República Dominicana para morar com o pai no município e passou a estudar na Escola Estadual Dom Aquino Corrêa, onde faz o ensino médio integrado a um curso profissionalizante.
“Esta escola proporciona muitas alternativas pra gente”, disse. Saica pretende cursar Medicina ou Direito e continuar os estudos depois da graduação.
“O curso profissionalizante forma no presente e prepara para o futuro”, afirmou.
Na mesma escola, Estefhany Clariany faz um curso técnico na área da saúde e também pretende seguir os estudos. “O conhecimento é a base de tudo”, disse.
Renda acima da média
Outro indicador econômico mostra que o rendimento domiciliar per capita de Mato Grosso do Sul chegou a R$ 2.454 em 2025. A média nacional no mesmo período foi de R$ 2.316.
O valor representa uma média e não significa, no entanto, que todas as famílias tenham renda semelhante. Diferenças entre municípios, custo de vida e desigualdade econômica ainda afetam a realidade da população.
Programas estaduais como o MS Supera, voltado a estudantes em situação de vulnerabilidade, e o MS Qualifica, que oferece cursos de formação profissional, estão entre as ações direcionadas à qualificação e permanência de jovens nos estudos.
O governador Eduardo Riedel afirmou que o desafio é transformar o crescimento econômico em oportunidades de emprego e aumento de renda.
“O desafio é fazer com que o lugar onde uma criança nasce determine cada vez menos as oportunidades que terá na vida adulta”, disse.
FONTE: TOP MIDIA NEWS

