Uma câmera de segurança registrou Ricardo de Souza Pessoa, de 62 anos, agredindo Noeli Simsen, de 50 anos, dentro de uma residência, quatro meses antes de ser morta a tiros dentro do hotel do qual era proprietária, em Cáceres (MT). O ex-marido, policial civil aposentado, confessou os disparos à Polícia Civil.
A câmera está posicionada diante de uma sala de jantar. Ao fundo da imagem, Ricardo aparece de pé, próximo a um sofá, diante de Noeli. Ele gesticula, ergue os braços e a agride com tapas. A gravação foi feita no dia 19 de maio de 2026, às 20h36. Em parte da cena, o corpo dele encobre a empresária.
Há um detalhe que liga o registro de maio aos acontecimentos de 28 de setembro: no dia em que foi morta, Noeli pediu aos funcionários do hotel que mantivessem as câmeras ligadas caso Ricardo aparecesse, segundo os relatos prestados à polícia.
Noeli havia escrito sobre agressões e medo
As imagens mostram um episódio de violência que Noeli já descrevia em mensagens ao ex-marido. Nas conversas obtidas pelo Primeira Página, ela relatou tapas e empurrões. Também afirmou que, durante uma viagem, Ricardo teria tentado sufocá-la com um travesseiro.

Em outra mensagem, Noeli disse que ele havia colocado uma arma em sua cabeça e feito disparos dentro de casa. Ela descreveu uma rotina de ameaças e controle: afirmou que Ricardo questionava suas roupas, as pessoas com quem conversava e até onde poderia fazer academia.
Ao explicar por que não queria retomar o relacionamento, escreveu que o sentimento que tinha por ele era medo. Nas respostas, Ricardo dizia estar arrependido de atitudes anteriores e insistia em reatar, conforme as mensagens.
Uma carta atribuída à empresária mostra os planos que ela fazia para a própria vida. Noeli pediu que o ex-marido aceitasse a separação e mencionou o desejo de obter a carteira da OAB para ter outra opção de trabalho.

Funcionários tentaram impedir a entrada de Ricardo
Noeli havia voltado recentemente de uma viagem à França. Depois da separação, passou a morar em um quarto do Hotel Real, estabelecimento do qual era dona. Segundo o delegado Higo Rafael, os dois tiveram um relacionamento de 27 anos e estavam separados havia cerca de cinco meses.
Em 28 de setembro, ela chegou ao hotel apreensiva. Além de pedir que as câmeras permanecessem ligadas, orientou os funcionários sobre a possibilidade de Ricardo aparecer.

Pouco depois, ele entrou no estabelecimento armado. Os colaboradores tentaram barrá-lo. Enquanto alguns procuravam avisar Noeli por telefone para que não abrisse a porta, outros acionavam a polícia.

Uma funcionária seguiu Ricardo e pediu que ele não fizesse nada contra a patroa. Conforme o depoimento dela, o homem apontou a arma em sua direção e ordenou que se afastasse.
Os funcionários ouviram quatro disparos. No quarto, encontraram Noeli gravemente ferida e tentaram estancar os ferimentos com toalhas. Ela morreu no local.
Ex-marido confessou os disparos
Ricardo saiu do hotel e depois se apresentou à Polícia Civil. Ele confessou ter atirado e entregou o revólver apontado como a arma do crime, que, segundo a polícia, estava registrado em nome de Noeli. Outras quatro armas foram apreendidas na casa dele.

Ao delegado, Ricardo afirmou que não aceitava o fim do relacionamento. A prisão em flagrante foi convertida em preventiva. O caso segue sob investigação.

