Educador e treinador transforma vidas há mais de duas décadas e celebra retomada histórica de Rio Verde nos Jogos Escolares da Juventude
Desde o primeiro momento, a história do futsal escolar em Rio Verde, em Mato Grosso do Sul, se entrelaça com a dedicação e o nome de um educador que construiu sua trajetória com estudo, disciplina e paixão pelo esporte: o professor Marcelo Daruichi de Paula. Nascido em Valparaíso (SP), em 3 de abril de 1965, Marcelo iniciou sua carreira ligado ao basquete, modalidade que buscou implementar quando chegou ao município em 2002. Mas a realidade local o surpreendeu e transformou sua jornada.

Ao perceber que a cultura esportiva de Rio Verde era fortemente voltada ao futsal, Marcelo tomou uma decisão que mudaria sua vida e a de centenas de jovens: mergulhou de cabeça no estudo da modalidade. “Tentei implementar o basquete, mas não deu certo. Então comecei a estudar o futsal, fazer cursos, ver vídeos e conversar com profissionais mais experientes.”
Desse processo nasceu o principal projeto de sua carreira, a escolinha Nova Geração, que hoje acolhe quase 230 crianças e adolescentes de 4 a 17 anos. Para Marcelo, o esporte é apenas uma das ferramentas do trabalho. Ele foca principalmente na formação humana. “Os principais valores são a disciplina dentro e fora da quadra. Cobro muito as notas. Também trabalhamos socialização, empatia, resiliência, companheirismo e gentileza.”
A inclusão também é parte fundamental do método construído pelo professor. A escolinha acolhe crianças autistas, buscando quebrar barreiras e construir um espaço mais igualitário. “Aos poucos vamos inserindo no esporte e na sociedade, que ainda é tão preconceituosa”, afirma. Ao longo dos anos, Marcelo viu sua atuação transformar vidas e abrir novos caminhos. “Tivemos alunos que largaram as drogas e hoje são cidadãos do bem. Alguns já têm família, e agora os filhos estão na minha escolinha.”

Marcelo acompanha de perto a evolução do futsal escolar no estado. Ele destaca o impacto dos projetos da Fundesporte e Setesc, como o Prodesc, que ampliaram a participação dos municípios nos Jogos Escolares da Juventude. “Hoje temos três divisões e quase todos os municípios participam. É uma conquista importante.” Ele recorda que, ao chegar em Rio Verde, a realidade era muito diferente. “Antes, as quadras eram descobertas. Hoje a maioria é coberta. Ainda faltam materiais em algumas escolas, mas não é o meu caso.”
Mesmo com avanços, o treinador avalia que ainda existem desafios estruturais. Ele atua em duas escolas bem equipadas e conta com o apoio da prefeitura, que cede o ginásio para alguns treinamentos. O planejamento segue o ritmo do ano letivo, com preparação física desde o início das aulas e treinos focados em fundamentos, jogadas e marcação. “O basquete exige muita marcação, e tento trazer isso para minhas equipes.”
No ano de 2025, Marcelo viveu um momento especial em sua trajetória com Rio Verde: após 17 anos sem conquistas, o município voltou ao pódio nos Jogos Escolares da Juventude, garantindo medalhas de prata no sub-17 e no sub-14. “Depois de tantos anos, chegar com duas conquistas foi marcante para mim e para o município.”
Além do lado técnico, Marcelo valoriza o papel emocional do esporte. Vibrante desde os tempos de atleta, ele busca transmitir energia sem perder a postura de educador. “Praticamente jogo com eles, mas não podemos confundir ser torcedor e esquecer de orientar a equipe.”
O futuro, segundo o professor, segue guiado por um propósito maior do que medalhas: a formação de cidadãos. “Se não der para ser atleta, sendo médico, professor ou dentista eu fico ainda mais feliz”, afirma.
A mensagem que deixa aos jovens condensa tudo o que praticou ao longo de sua trajetória. “Acreditem nos sonhos. É possível realizar. Mas os estudos vêm em primeiro lugar. Não se envolvam com drogas, bebidas e deixem um pouco o celular. O esporte sempre será uma ferramenta de inclusão e de salvamento.”
Jornalista Pedrinho Bambam DRT 0002476/MS


