terça-feira, novembro 3, 2026

Advogado de enteada e filha do agrônomo acusado de matar a mulher a facada explica divulgação dos vídeo e defende júri

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O advogado que representa a enteada e a filha do agrônomo Daniel Bennemann Frasson divulgou um novo vídeo em que explica por que a família decidiu tornar públicas as imagens da movimentação na casa antes do assassinato de Gleici Keli Geraldo de Souza, em Lucas do Rio Verde. Segundo ele, os registros foram apresentados para contestar a conclusão de inimputabilidade do acusado e defender que Daniel seja levado a júri popular.

Daniel é acusado de matar a mulher a facadas e tentar matar a própria filha. O advogado atua como assistente de acusação no processo e afirma que os vídeos, que pertencem à filha mais velha, mostram o comportamento do agrônomo antes do crime e, na avaliação da família, ajudam a questionar a alegação de que ele não tinha capacidade de compreender os próprios atos naquele momento.

“O que o assistente de acusação quis com esses vídeos? Trazer a verdade real dos fatos”, afirmou o advogado.

Segundo ele, foram analisadas gravações feitas não apenas no dia anterior ao crime, mas também em meses anteriores. O advogado sustenta que o conteúdo mostra Daniel atento a situações cotidianas, inclusive questões financeiras, e que não identificou nas imagens elementos que, na avaliação dele, indiquem incapacidade de entendimento.

O que mostram os vídeos

As gravações foram divulgadas inicialmente pelo advogado no domingo (6) e mostram momentos vividos dentro da residência nos dias que antecederam o crime e também na manhã do ataque.

Em trechos anteriores, Daniel e Gleici aparecem conversando e discutindo sobre questões financeiras e objetos da casa. O advogado utiliza essas cenas para sustentar que o agrônomo demonstrava atenção a valores e ao patrimônio familiar antes do crime.

No dia do assassinato, Daniel aparece circulando pela residência. Depois, vai até a cozinha, pega uma faca e segue em direção ao quarto onde estavam Gleici e a filha. Pouco depois, retorna à sala com sangue pelo corpo.

As gravações mostram ainda a chegada de familiares à casa. Enquanto a menina é retirada do quarto e recebe os primeiros socorros, Daniel permanece circulando pelo imóvel e também aparece sendo amparado por pessoas da família. Em parte das imagens, ele leva as mãos à cabeça e tenta limpar manchas de sangue do chão.

Outro ponto destacado pelo advogado são registros anteriores ao crime que, segundo ele, mostram conflitos dentro da residência. Uma mensagem exibida no material mostra uma familiar de Daniel orientando Gleici a esconder as facas da casa. Conforme o advogado, dois dias antes do ataque teria ocorrido uma ameaça contra Gleici e a filha.

Família quer Tribunal do Júri

A discussão sobre a saúde mental de Daniel começou ainda pouco depois do crime. A defesa pediu a abertura de um incidente de insanidade mental para avaliar se ele tinha capacidade de compreender os próprios atos quando atacou a mulher e a filha.

Um primeiro laudo da Politec apontou que Daniel estava acometido por psicose e poderia ser considerado inimputável. A família de Gleici contestou o resultado e alegou que havia omissões e contradições na avaliação.

Em dezembro de 2025, a Justiça considerou que havia dúvidas relevantes no documento e determinou uma nova perícia, desta vez realizada por uma junta oficial de especialistas. A decisão considerou insuficientes os elementos apresentados no primeiro exame para concluir, com segurança, que Daniel era totalmente incapaz de responder pelos atos.

Daniel Bennemann Frasson está internado em um hospital psiquiátrico particular em Cuiabá. Foto: Arquivo pessoal

O segundo laudo, concluído neste ano, apontou diagnóstico de esquizofrenia e transtorno bipolar e novamente concluiu pela inimputabilidade do agrônomo. O documento foi anexado ao processo e ainda precisa ser analisado pela Justiça para a definição dos próximos passos.

É justamente essa conclusão que o advogado Rodrigo Pouso tenta contestar com as imagens.

Segundo ele, a posição da assistência de acusação é de que Daniel deve ser considerado imputável e responder pelos crimes perante jurados.

“Eles estão dizendo que ele não tinha capacidade de entendimento naquele momento. O nosso posicionamento é mostrar no processo que esse não é um caso de inimputabilidade. Ele precisa ir a júri popular”, afirmou.

Ainda não há data para um eventual julgamento pelo Tribunal do Júri.

Daniel está internado em clínica particular

Daniel está atualmente internado em uma clínica psiquiátrica particular em Cuiabá. A transferência para a unidade privada foi determinada pela Justiça diante da falta de vaga adequada no Ciaps Adauto Botelho, e o tratamento é custeado pelo Estado.

Segundo o advogado, os gastos com a internação já ultrapassam R$ 200 mil.

Pouso questiona o tratamento dado ao caso. Para ele, Daniel deveria responder criminalmente como uma pessoa capaz de compreender os atos praticados.

A defesa de Daniel, por outro lado, sustenta a existência de transtornos mentais e já informou ao Primeira Página que ele apresenta quadro de saúde mental instável e faz tratamento com medicamentos e terapia.

Mulher foi morta e filha sobreviveu

O crime aconteceu em 24 de junho de 2025, na casa da família, no bairro Bandeirantes, em Lucas do Rio Verde.

Gleici estava no quarto quando foi atacada. Ela morreu no local após ser atingida por diversos golpes de faca. A menina, então com 7 anos, também foi esfaqueada pelo pai e ficou em estado grave.

A criança foi transferida para Cuiabá e permaneceu internada por mais de três semanas até receber alta médica. Durante a recuperação, chegou a apresentar complicações nos rins.

Após os ataques, Daniel foi hospitalizado, recebeu alta dias depois e foi encaminhado ao Centro de Ressocialização de Sorriso depois que a Justiça decretar a prisão preventiva.

Em setembro de 2025, a Justiça recebeu a denúncia do Ministério Público e Daniel se tornou réu por feminicídio e tentativa de homicídio.

Agora, mais de um ano depois, a disputa sobre a capacidade mental do agrônomo é o ponto que pode definir se o caso será levado ao Tribunal do Júri, como querem as filhas de Gleici.

FONTE: PRIMEIRA PÁGINA

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