Uma arara-canindé e uma arara-vermelha protagonizam uma história rara da vida silvestre em Mato Grosso do Sul. Observadas juntas há cerca de cinco anos no Buraco das Araras, em Jardim, as aves formaram um casal mesmo pertencendo a espécies diferentes, comportamento considerado incomum entre araras na natureza.
Uma história inusitada tem chamado a atenção de pesquisadores, guias turísticos e visitantes do Buraco das Araras, um dos principais atrativos naturais de Mato Grosso do Sul. Há cerca de cinco anos, uma arara-canindé (Ara ararauna) e uma arara-vermelha (Ara chloropterus) vivem juntas em uma relação rara entre aves de espécies diferentes.
O casal pode ser facilmente identificado entre as dezenas de araras que habitam a gigantesca cratera localizada no município de Jardim. Enquanto uma apresenta a tradicional plumagem azul e amarela da canindé, a outra exibe as marcantes penas vermelhas características da espécie.
Cinco anos juntas e nenhuma separação
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Arara-canindé (Ara ararauna) e uma Arara-vermelha (Ara chloropterus). — Foto: José Marques Lopes
Segundo relatos de observadores da reserva, a história começou há aproximadamente sete anos, quando a arara-canindé chegou ao Buraco das Araras, local ocupado predominantemente por araras-vermelhas. A adaptação, porém, não foi simples.
De acordo com Bergson Sampaio, que acompanha a rotina das aves na reserva, a recém-chegada enfrentou resistência por parte das moradoras do local. Durante cerca de seis meses, as araras-vermelhas tentaram expulsá-la da área.
Com o passar do tempo, no entanto, a ave passou a reproduzir sons muito semelhantes aos emitidos pelas araras-vermelhas. A mudança na vocalização teria contribuído para sua aceitação dentro da colônia.
Após conquistar espaço no grupo, a arara-canindé formou vínculo com uma das araras-vermelhas da reserva. Desde então, as duas passaram a ser vistas juntas frequentemente, compartilhando voos, descanso e território.
As araras são conhecidas pelo comportamento monogâmico, formando pares duradouros ao longo da vida. O que torna este caso especial é justamente o fato de envolver duas espécies diferentes.
Até o momento, não há registro de filhotes do casal. Especialistas apontam que diferenças biológicas entre as espécies podem dificultar a reprodução. Além disso, eventuais descendentes seriam híbridos, condição que pode resultar em limitações reprodutivas.
A história acontece dentro do Buraco das Araras, uma Reserva Particular do Patrimônio Natural localizada em Jardim. A formação geológica possui cerca de 100 metros de profundidade e aproximadamente 500 metros de circunferência, abrigando mais de 150 espécies de animais silvestres.
Considerado um dos principais refúgios de araras-vermelhas do país, o local abriga cerca de 120 indivíduos da espécie, além de diversos outros animais da fauna pantaneira e do Cerrado.
A convivência entre a arara-canindé e a arara-vermelha continua despertando curiosidade e reforçando como a natureza pode apresentar comportamentos surpreendentes, mesmo entre espécies conhecidas por formar pares dentro do próprio grupo.
Um ‘mundo perdido’ que abriga histórias improváveis
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