domingo, abril 26, 2026

Beleza e história: cena impressionante de cavalos atravessando área alagada destaca tradição pantaneira

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A cena traduz a harmonia entre os animais e o ambiente — uma das marcas do Pantanal. Mais do que registrar paisagens, o trabalho de Luiz Mendes busca preservar a cultura do povo pantaneiro.

Imagens feitas pelo fotógrafo e biólogo Luiz Felipe Mendes mostram uma cena que impressiona pela beleza e pela conexão com a natureza: uma tropa de cavalos pantaneiros atravessando áreas alagadas no Pantanal de Mato Grosso do Sul.

Nas fotos, os animais aparecem em movimento, cortando a lâmina d’água que reflete o céu azul e as nuvens. Em meio à vegetação alagada, cavalos de diferentes cores seguem juntos, levantando pequenos respingos e criando um contraste marcante entre a força dos corpos e a calmaria da paisagem. A cena traduz a harmonia entre os animais e o ambiente — uma das marcas do Pantanal.

“Eu sou encantado, apaixonado pelos cavalos pantaneiros”, afirma.

Segundo Luiz Mendes, apesar de divulgado recentemente, o registro foi feito em junho de 2024, após um período de chuvas que deixou os campos inundados. Ele passou cerca de 20 dias na região da Baía das Pedras, onde produziu material audiovisual para uma pousada local. Na época, o local estava fechado para turistas, mas o cenário natural estava em plena atividade.

“Era um momento em que o Pantanal estava pulsando. Tinha passado a pandemia, e a natureza estava sensacional”, relata.

Raça resistente e única

Os cavalos registrados nas imagens pertencem à raça pantaneira, considerada uma das mais adaptadas do mundo às condições alagadas. De acordo com o fotógrafo, esses animais descendem de cavalos trazidos por colonizadores espanhóis há cerca de 400 anos e, ao longo do tempo, se adaptaram ao ambiente extremo.

Uma das características mais curiosas é a capacidade de se alimentar com o focinho submerso na água — algo raro entre equinos. Além disso, possuem cascos resistentes, que não se deterioram mesmo em longos períodos em áreas alagadas.

De animal “de lado” a destaque em eventos

Historicamente, o cavalo pantaneiro já foi visto como um animal rústico e até deixado de lado. Hoje, a realidade é diferente. A raça ganhou valorização e passou a ser destaque em eventos agropecuários, como a Expogrande.

Segundo Mendes, exemplares da raça já alcançaram os maiores valores em leilões recentes da feira, superando outras linhagens tradicionais. A valorização também impulsiona o trabalho da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo Pantaneiro, que atua na conservação e divulgação da espécie.

Cultura pantaneira em risco

Mais do que registrar paisagens, o trabalho de Luiz Mendes busca preservar a cultura do povo pantaneiro. Para ele, o maior risco não está apenas na natureza, mas na perda das tradições.

“O Pantanal continua preservado, muito por causa dos próprios pantaneiros. Eles têm uma relação de respeito e harmonia com o ambiente. Mas existe uma preocupação com a continuidade dessa cultura”, afirma.

O fotógrafo lembra que o modo de vida, as histórias e a relação com animais como o cavalo pantaneiro fazem parte da identidade da região — e precisam ser valorizados e divulgados.

As imagens, agora compartilhadas com o público, ajudam a contar essa história e a destacar a importância de um dos símbolos mais fortes do Pantanal: o cavalo que aprendeu a viver, literalmente, dentro d’água.

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