O ex-prefeito de Campo Grande, Alcides Bernal, afirmou em depoimento à Polícia Civil que entrou com uma ação judicial para anular o processo que resultou no leilão do imóvel onde ocorreu a morte do empresário Roberto Carlos Mazzini, de 61 anos.
Segundo Bernal, ele não foi comunicado oficialmente sobre nenhuma etapa da execução extrajudicial. “Eu não fui intimado dessa execução extrajudicial, nem para purgar a mora. Não fui intimado pessoalmente de data de leilão, nem fui intimado do arremate para eu exercer o meu direito de preferência”, declarou.
De acordo com o ex-prefeito, a casa foi financiada por ele e pela companheira, e parte significativa do valor já teria sido paga ao longo dos anos. Ele também alegou que a cobrança feita pela instituição financeira seria abusiva, o que motivou o ingresso da ação contra o banco.
No depoimento, Bernal afirmou que, mesmo com o imóvel arrematado em leilão, a posse ainda estaria sendo discutida judicialmente. Ele ressaltou que, em casos como esse, a retirada de moradores deve ocorrer por meio de decisão judicial, com mandado de imissão na posse.
“Você não pode ter uma família morando lá e simplesmente invadir a casa. Isso não é de direito”, disse.
Ainda segundo o ex-prefeito, a ausência de um oficial de Justiça no momento em que Mazzini e um chaveiro entraram no imóvel reforçou a percepção de que se tratava de uma invasão.
Acusação de irregularidade
Durante o interrogatório, Alcides Bernal também questionou a conduta de Mazzini, classificando a atitude como incompatível com alguém que teria adquirido o imóvel de forma regular.
Ele afirmou que uma pessoa que arremata um bem de alto valor deveria recorrer ao Judiciário para garantir a posse, e não tentar acessar o imóvel por conta própria.
Bernal também declarou que a vítima não seria leiga em questões legais e sugeriu que poderia estar agindo a mando de terceiros, usando expressões como “cobra mandada” e “fiscalzinho”. Apesar das críticas, disse lamentar a morte.
Investigação
O caso ocorreu na terça-feira (24) e segue sob investigação da Polícia Civil. Bernal se apresentou espontaneamente após o ocorrido e alegou ter agido em legítima defesa.
A defesa sustenta que ele acreditava que sua casa estava sendo invadida e que reagiu para se proteger.
As circunstâncias do crime e a legalidade do processo de leilão devem ser apuradas ao longo da investigação.
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