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Brigitte Bardot virou letra de Caetano Veloso e pôs Búzios na rota do turismo mundial

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SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) – É uma passagem curta de sua biografia, inofensiva em obituários estrangeiros que lembram a trajetória de Brigitte Bardot neste domingo, quando sua morte, aos 91 anos, foi informada à imprensa. No entanto, para fãs e cinéfilos brasileiros, é difícil esquecer a passagem da atriz pelo Brasil, em 1964 -mais especificamente em Búzios, no Rio de Janeiro, onde uma estátua em tamanho real a eternizou à beira-mar.

Bardot veio ao país para passar o verão, acompanhada do então namorado Bob Zagury, um marroquino-brasileiro. Símbolo absoluto do cinema e da cultura pop àquela época, a atriz buscava se distanciar do assédio da imprensa europeia. Foi Zagury quem a levou até Búzios, então uma pequena vila de pescadores no litoral fluminense, ainda fora do circuito turístico internacional.

Mas a fama de Bardot já era incontornável e não conhecia fronteiras. Prova disso é que, quatro anos antes, ela já havia virado uma marchinha de Carnaval, de Jorge Veiga, escrita por Miguel Gustavo – “Brigitte Bardot, Bardot/ Brigitte beijou, beijou/ lá dentro do cinema todo mundo se afobou”.

Bardot também atravessou a música popular brasileira. Caetano Veloso citou a atriz em “Alegria, Alegria”, canção-manifesto do tropicalismo apresentada no Festival de Música Popular Brasileira de 1967, na qual seu nome aparece ao lado de Claudia Cardinale, amiga de Bardot e outra diva da época. Elas surgem na letra como símbolos de um imaginário internacional de glamour e modernidade.

Relatos publicados na imprensa dão conta de que, em Búzios, Bardot encontrou um ritmo de vida mais simples, caminhou pelas praias quase desertas e se misturou à paisagem e ao público com uma naturalidade que contrastava com sua condição estelar.

A atriz também passou pela capital fluminense e esteve no Copacabana Palace. Ela posou para fotógrafos no terraço, em registro que faz parte do livro “Copacabana Palace – Um Hotel e Sua História”, do jornalista Ricardo Boechat, com fotos de Sergio Pagano e do arquivo do hotel.

Sua presença no Rio ajudou a transformar Búzios em notícia. Fotos acabaram publicadas em jornais de todo o mundo despertando a curiosidade de viajantes estrangeiros e dando início ao processo que faria do vilarejo um dos destinos mais famosos do Brasil nas décadas seguintes.

Bardot revisitou essa memória com ambivalência décadas depois. Em 2017, criticou a modernização da cidade em entrevista à emissora Radio France International, a RFI. “Guardo recordações únicas. Uma lembrança mágica, magnífica. Foi o lado selvagem do lugar que me seduziu. Mas o que Búzios se tornou hoje me deixa atordoada. É uma pena.”

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