sexta-feira, outubro 2, 2026

Cacique Raoni deixa UTI após cirurgia e segue em observação médica em São Paulo

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“O paciente apresenta evolução clínica satisfatória, afebril, abdome flácido, função renal normal e respiração em ar ambiente. Hoje, iniciou-se a transição para a dieta oral pastosa com boa aceitação”, diz trecho do boletim médico.

O cacique deu entrada no HSP no último dia 19, apresentando quadro de obstrução intestinal, desidratação e pneumonia aspirativa. Ele foi transferido de Sinop, em Mato Grosso, para dar continuidade ao tratamento de saúde e ao acompanhamento cirúrgico de seu quadro clínico.

A transferência para São Paulo foi definida após avaliação conjunta das equipes médicas responsáveis pelo caso, segundo o Hospital e Maternidade Dois Pinheiros, onde o líder estava em Sinop. O transporte foi realizado em uma aeronave disponibilizada pelo Governo de Mato Grosso.

Raoni estava internado em Sinop desde o último dia 14, após ser diagnosticado com sepse pulmonar associada a uma pneumonia broncoaspirativa. Ele havia apresentado sintomas um dia antes, quando registrou episódios de vômito em sua residência, na região de Peixoto de Azevedo (MT).

Na capital paulista, o acompanhamento é conduzido pelo cirurgião Franz Robert Apodaca Torrez, professor da Escola Paulista de Medicina da Unifesp.
Nova internação em menos de um mês

A nova internação ocorreu menos de um mês após Raoni receber alta do Hospital e Maternidade Dois Pinheiros. Em maio, ele foi hospitalizado após apresentar mal-estar clínico e complicações respiratórias e gastrointestinais.
Antes disso, também havia passado cinco dias internado para tratar dores abdominais associadas a uma hérnia.

A equipe médica informou, à época, que o líder indígena possui comorbidades preexistentes, entre elas DPOC (Doença Pulmonar Obstrutiva Crônica), insuficiência cardíaca, uso de marcapasso cardíaco e hérnia diafragmática.

Desde 2020, Raoni já passou por seis internações no Hospital e Maternidade Dois Pinheiros. A relação com a unidade foi construída a partir das Expedições UFMT-Xingu, projeto de extensão da Universidade Federal de Mato Grosso em parceria com o hospital, que leva atendimento especializado às aldeias da Terra Indígena Capoto/Jarina.

Reconhecido internacionalmente pela defesa da Amazônia e dos povos indígenas, Raoni ganhou notoriedade nos anos 1970 ao se posicionar contra a construção da rodovia Transamazônica durante a ditadura militar (1964-1985).
Em 1989, após conhecer o músico britânico Sting, iniciou uma série de viagens internacionais e se consolidou como uma das vozes mais conhecidas em defesa da floresta amazônica e dos direitos indígenas.

Leia Também: Lula oferece apoio à Venezuela após terremoto e avalia assistência

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