A ciência brasileira está abrindo novas possibilidades para a rastreabilidade e certificação de carnes de diferente origem animal. O tema foi destaque no podcast Agro de Primeira, apresentado por Tati Scaff e Edevaldo Nascimento, que recebeu o pesquisador da Embrapa Gado de Corte, Newton Verbisck, para falar sobre uma pesquisa que utiliza espectrometria de massas para identificar diferentes tipos de carne e até distinguir raças bovinas por meio de suas proteínas. (Assista ao episódio completo no YouTube acima ou clique no link abaixo para ouvir no Spotify.)
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Segundo o pesquisador, a técnica funciona como uma espécie de “impressão digital” da carne, permitindo identificar características específicas presentes nas proteínas de cada animal. O estudo utiliza um equipamento conhecido como MALDI-TOF, tecnologia já amplamente empregada na área médica e microbiológica.
“O que a gente tem certeza é que consegue distinguir raças. A gente precisa fazer mais raças que sejam de interesse, fazer cruzamentos, mas já mostramos que existe uma espécie de impressão digital da carne desses animais”, destacou Verbisck.
Tecnologia pode ampliar certificação e rastreabilidade
Durante a entrevista, o pesquisador explicou que a metodologia surgiu a partir de estudos voltados inicialmente para a identificação de microrganismos causadores de doenças em animais. Com o avanço dos trabalhos, a equipe percebeu que a mesma tecnologia poderia ser aplicada na análise de carnes.
A técnica consiste em extrair proteínas de pequenas amostras e gerar um perfil molecular único, que é comparado a um banco de dados. Quanto maior o número de informações disponíveis nesse banco, maior a precisão na identificação da origem da carne analisada.
Além de diferenciar raças bovinas, os estudos apontam potencial para aplicações futuras envolvendo a distinção entre cortes, espécies animais e até produtos processados.
“É rápido, tem um custo relativamente baixo e pode ser feito em larga escala. Você consegue automatizar o processo e gerar resultados em aproximadamente 15 minutos”, explicou.
Tecnologia pode revolucionar a rastreabilidade da carne brasileira. (Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil)
Novas aplicações para a segurança dos alimentos
O trabalho também abre caminho para outras pesquisas ligadas à segurança alimentar. A mesma tecnologia já é utilizada para identificar bactérias, fungos e outros microrganismos em laboratórios e hospitais, agilizando diagnósticos e análises.
De acordo com Verbisck, uma das próximas etapas será ampliar o banco de dados das carnes avaliadas e explorar novas frentes de pesquisa. Entre as possibilidades estão:
Identificação da origem geográfica de produtos como mel;
Diferenciação de espécies animais;
Detecção mais rápida de patógenos que possam comprometer a qualidade dos alimentos.
O pesquisador ressaltou ainda que a geração desse conhecimento básico é fundamental para atender futuras demandas do setor produtivo, mesmo antes que elas surjam.
“Hoje a gente não tem uma demanda específica para isso, mas gerar esse conhecimento pode ser muito útil no futuro. Se surgir a necessidade, a ferramenta já está pronta para ajudar a responder essas questões”, afirmou.
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