quinta-feira, novembro 5, 2026

Com dor e sem andar, grávida peregrina por hospitais para tentar parto em Campo Grande

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Uma gestante de 27 anos, com 39 semanas e três dias de gravidez, denunciou o que classifica como descaso no atendimento prestado pelos principais hospitais públicos de Campo Grande.

Em meio a fortes dores, falta de ar e dificuldades até para se movimentar na cama, ela afirma ter buscado atendimento por diversas vezes no Hospital Universitário (HU) e no Hospital Cândido Mariano, mas acabou sendo liberada sem solução, mesmo com o avanço da gestação.

Segundo o relato, a gestante está há pelo menos uma semana sentindo dores intensas. Ela afirma que foi duas vezes ao Hospital Universitário, onde realizou exames, mas recebeu como resposta que “não estava na hora” do parto e acabou sendo mandada para casa. Com a persistência dos sintomas, procurou atendimento no Hospital Cândido Mariano, onde relata que sequer foi devidamente examinada.

“Eles mal me atenderam. Fiquei horas esperando e me mandaram embora de novo. Já pedi pelo menos para fazer uma cesárea, mas eles nem dão atenção”, desabafa. A mulher conta que sente dores constantes, falta de ar, náuseas e pressão intensa na parte inferior da barriga. “Não consigo me mexer direito na cama. Tudo que eu como me dá vontade de vomitar. Eu estou muito mal”, afirma.

Ainda de acordo com a gestante, o tempo de espera nas unidades de saúde é excessivo. No Hospital Cândido Mariano, ela afirma ter chegado por volta das 20h e saído apenas depois da meia-noite. Já no HU, relata ter dado entrada por volta das 15h e deixado a unidade apenas às 22h.

Outro ponto denunciado é a estrutura precária e o calor excessivo nas unidades. “Não tem ventilador, é tudo abafado. Gestante passa mal ali dentro. É desumano”, afirma. Ela também relata ter presenciado médicos conversando dentro das salas enquanto gestantes aguardavam atendimento nos corredores. “A gente fica esperando a boa vontade deles”, diz.

A gestante afirma que inicialmente desejava um parto normal, mas, diante da situação, passou a pedir uma cesárea ou, ao menos, a indução do parto. “Já passou de 39 semanas. O bebê já está formado. Pelo menos tinham que dar uma resposta: ou induz ou faz cesárea. Eu vou ficar com meu filho na barriga até quando? Até ele morrer?”, questiona, emocionada.

A reportagem procurou o Hospital Universitário e do Hospital Cândido Mariano para se manifestarem sobre as denúncias e esclarecerem os protocolos adotados para atendimento de gestantes em fim de gestação. Mas até a publicação desta matéria não teve resposta. O espaço segue aberto para manifestações futuras.

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