A Marinha do Brasil tem até 90 dias para concluir o inquérito administrativo que apura as causas do afundamento de uma barcaça carregada com minério no Rio Paraguai, em Porto Esperança, em Corumbá. A investigação deve apontar o que provocou o acidente e se houve responsabilidade de pessoas ou empresas envolvidas na operação.
A informação foi apresentada pelo comandante da Capitania dos Portos do Pantanal, capitão de fragata Eduardo Miranda, durante sessão da Câmara Municipal de Corumbá, na terça-feira (3). O acidente ocorreu no sábado (31), durante o carregamento de minério no Porto Gregório Curvo, pertencente à LHG Mining.
Segundo o comandante, representantes da mineradora e trabalhadores portuários serão convocados para prestar depoimento. A investigação considera possíveis falhas técnicas, operacionais ou humanas, além das condições estruturais da embarcação e da forma como o minério foi carregado.
Apesar de a documentação da barcaça estar regular, a Marinha não descarta a possibilidade de falha material. A embarcação, com mais de dez anos de uso, havia passado por inspeção da Capitania em 24 de julho e também possuía certificação de entidade classificadora e seguro.
De acordo com o site Diário Corumbaense, durante os questionamentos dos vereadores, Miranda explicou que a regularidade dos documentos não significa que a estrutura estivesse livre de problemas. A quantidade de minério transportada e a distribuição da carga também estão entre os pontos que serão analisados. Até o momento, nenhuma hipótese foi confirmada.
Retirada da barcaça
A área onde ocorreu o afundamento permanece isolada e sinalizada. As atividades no terminal portuário estão suspensas e só poderão ser retomadas depois da retirada segura da embarcação e da avaliação das condições do local.
A LHG manifestou interesse em remover a barcaça, mas precisa apresentar um plano de salvatagem, elaborado com participação de empresa credenciada e profissionais habilitados. O documento será analisado pela Capitania dos Portos e deverá ser aprovado pelo Comando do 6º Distrito Naval antes do início dos trabalhos.
A operação exige cuidados para evitar riscos aos trabalhadores e possíveis danos ambientais. Por isso, ainda não há previsão para a retirada da embarcação.
Impactos ambientais
O caso também é acompanhado pelo Ibama e pelo Instituto de Meio Ambiente de Mato Grosso do Sul (Imasul). Os órgãos avaliam possíveis alterações na qualidade da água, presença de materiais e mudanças na turbidez do Rio Paraguai.
Ainda está sendo apurado se houve saída de minério da barcaça e quais seriam os possíveis impactos ambientais.
O acidente foi um dos assuntos discutidos na Câmara de Corumbá, que também cobra explicações da mineradora sobre a alteração na coloração da água do córrego Piraputanga e os impactos do transporte de minério pela BR-262.
Durante a sessão, o presidente da Câmara, Ubiratan Canhete de Campos Filho, o Bira, afirmou que o Legislativo pretende buscar a suspensão da licença de exploração mineral da empresa junto aos órgãos competentes caso os problemas ambientais atribuídos às atividades da mineradora não sejam resolvidos.
Representantes das mineradoras que atuam no município foram convidados a prestar esclarecimentos na sessão da próxima segunda-feira (9).

