quinta-feira, novembro 5, 2026

“Governo não faz oposição a governo”: tradição do MDB pode aproximar Daniel de Lula

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A partir de 2027, o governador reeleito de Goiás, Daniel Vilela (MDB), poderá ter uma posição privilegiada na relação com o presidente Lula da Silva (PT). Isso porque Daniel será o único governador do MDB em todo o país, condição que pode aumentar seu peso político dentro do partido e facilitar o diálogo com o Palácio do Planalto. Apesar de ter sido eleito com o apoio do ex-governador Ronaldo Caiado (PSD), adversário político histórico de Lula, a expectativa é de que o novo governo goiano mantenha relação de cooperação com a União. Atualmente, o governador está em uma viagem internacional de férias com a família, iniciada em 28 de outubro, com retorno previsto ao cargo no sábado, 7 de novembro.

Para o mestre em História e especialista em políticas públicas Tiago Zancopé, ouvido pelo O HOJE, a condição de único governador emedebista é uma vantagem, mas não é o único fator que favorece Daniel. A trajetória política de seu pai, Maguito Vilela, e a relação construída pela família com Lula também podem contribuir para uma aproximação entre os governos.

“Não apenas pelo fato de Daniel Vilela ser o único governador do MDB, mas também pela trajetória política que construiu, especialmente por ser filho de Maguito Vilela. Sabemos que Lula tinha afeição por Maguito. Tanto que, após a derrota dele na disputa pelo governo de Goiás, em 2006, Lula foi um dos que se sensibilizaram para que Maguito ocupasse um cargo no governo federal. Se tornou um dos vice-presidentes do Banco do Brasil, a partir de uma indicação do MDB”, afirma.

Zancopé também recorda que, durante a gestão de Maguito à frente da Prefeitura de Aparecida de Goiânia, o município recebeu muitos investimentos federais. “Tudo isso joga a favor de Daniel”, avalia.

Tradição de diálogo do MDB

Outro ponto destacado pelo analista é a tradição política do MDB goiano, especialmente das lideranças de Iris Rezende e Maguito Vilela. Segundo Zancopé, o partido construiu uma cultura de diálogo institucional, mesmo quando seus representantes estavam em campos políticos diferentes dos ocupantes do governo federal. “Existe uma máxima do MDB que é muito boa de lembrar: governo não faz oposição a governo. E isso Maguito e Iris repetiam para quem quisesse ouvir”, ressalta.

Para Zancopé, essa postura deve influenciar a atuação de Daniel a partir de janeiro. Embora tenha integrado o grupo político de Caiado, o governador reeleito terá responsabilidades administrativas que exigem uma relação direta com Brasília. “Existe um pouco disso na trajetória do MDB, de um governo fazer gentileza para outro governo, de um governo ajudar outro governo. Eu vejo muito isso no MDB goiano”, explica.

Por isso, Zancopé não acredita que Daniel vá reproduzir o enfrentamento político que marcou a relação de Caiado com Lula. “Com a experiência que eu tenho, com a trajetória de leitura política que eu tenho, não espero e não acredito num Daniel sendo governador de oposição”, afirma.

Como exemplo, o analista cita o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos) que, apesar da proximidade com a família Bolsonaro, manteve relações institucionais com o governo petista. “Mesmo estando no Republicanos e tendo uma relação muito próxima com a família Bolsonaro, não vi Tarcísio se colocar como governador de oposição ao presidente Lula”, compara.

Demandas em comum

Na avaliação de Zancopé, a aproximação entre os governos poderá ocorrer principalmente em torno de demandas que dependem da participação federal. Entre elas, estão o transporte coletivo e a saúde na região do Entorno do Distrito Federal, onde milhares de moradores dependem diariamente de serviços compartilhados entre Goiás e Brasília. “Goiás, Distrito Federal e União têm um grande tema a ser trabalhado pelos próximos quatro anos, que é justamente a questão da mobilidade no Entorno de Brasília, com a perspectiva de Goiás e DF assumirem uma parcela maior desse transporte”, destaca.

Além disso, a educação superior e a infraestrutura ferroviária poderão abrir novas frentes de cooperação. Zancopé destaca o fortalecimento da Universidade Federal de Catalão (UFCAT), da Universidade Federal de Jataí (UFJ) e a implantação de um novo campus da Universidade Federal de Goiás (UFG) em Cidade Ocidental  e de um campus do Instituto Federal de Goiás (IFG), em Cavalcante, região da Chapada dos Veadeiros, que vai beneficiar comunidades Kalunga.

Na infraestrutura, o especialista aponta a Ferrovia de Integração Centro-Oeste (Fico) e a Ferrovia Norte-Sul como projetos importantes para o desenvolvimento econômico do Estado.

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