segunda-feira, setembro 14, 2026

Ex-presidente da Santa Casa comprou casa de R$ 400 mil à vista no Centro de Campo Grande

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A ex-presidente da Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, Alir Terra Lima, comprou uma casa de R$ 400 mil no Centro da Capital em janeiro de 2025, período em que comandava a instituição e empresas ligadas ao seu sócio recebiam pagamentos milionários da operadora Santa Casa Saúde.

A aquisição consta em documentos encaminhados pelos cartórios ao Ministério Público de Mato Grosso do Sul. Conforme a escritura, o imóvel está localizado na Rua João Pessoa e foi comprado em 24 de janeiro de 2025. O valor declarado teria sido pago no ato, em moeda corrente nacional.

A operação patrimonial é analisada pelo Gecoc (Grupo Especial de Combate à Corrupção) no âmbito da investigação que apura supostas irregularidades em contratos firmados pela Santa Casa Saúde.

Os investigadores cruzam as aquisições imobiliárias de Alir e do sócio profissional dela, Paulo da Cruz Duarte, com a criação de empresas, a assinatura de contratos e a transferência de valores milionários pela operadora.

Segundo o Ministério Público, empresas vinculadas a Paulo receberam alguns dos pagamentos mais expressivos investigados. Entre março e dezembro de 2025, a Duarte Soluções Creditícias teria recebido dez parcelas mensais de R$ 557 mil, totalizando R$ 5,57 milhões.

Os pagamentos teriam sido realizados sob a rubrica de execução técnica para a abertura de uma filial da Santa Casa Saúde em Dourados.

A investigação também identificou uma casa adquirida por Alir em julho de 2021, meses antes de ela assumir a presidência da Santa Casa. O imóvel, localizado na Rua Luciana, teve valor declarado de R$ 450 mil.

O pagamento foi feito por meio de três transferências bancárias nos valores de R$ 22,5 mil, R$ 31,5 mil e R$ 396 mil. Juntas, as duas propriedades registradas em nome da ex-presidente somam R$ 850 mil.

Apartamentos adquiridos pelo sócio

Paulo da Cruz Duarte e a esposa, Jhenifer Paula Lopes Duarte, aparecem como compradores de outros dois imóveis, avaliados em R$ 1,02 milhão.

O primeiro apartamento, localizado no Edifício Pernambuco, foi adquirido em junho de 2023 por R$ 350 mil, com duas vagas de garagem. Conforme a escritura, o pagamento foi realizado integralmente em moeda corrente nacional.

A compra ocorreu aproximadamente quatro meses após a constituição da Duarte Soluções Creditícias e pouco antes do primeiro contrato identificado entre a empresa e a Santa Casa Saúde, celebrado em agosto de 2023.

Em março de 2025, o casal adquiriu outro apartamento, desta vez no Edifício Tom Jobim, por R$ 670 mil. O imóvel possui três vagas de garagem e seria pago em 12 parcelas mensais de R$ 50 mil, além de duas parcelas referentes ao saldo restante.

Somadas, as quatro propriedades adquiridas por Alir, Paulo e a esposa dele possuem valor declarado de R$ 1,87 milhão.

O Ministério Público ressalta que a documentação cartorária ainda está sendo analisada e pode não representar a totalidade das operações patrimoniais dos investigados.

Operação

Ao todo, são cumpridos seis mandados de prisão preventiva e 36 de busca e apreensão em Campo Grande, Dourados e Goiânia (GO).

O contrato investigado previa o pagamento de R$ 1,8 milhão por ano para a digitalização dos prontuários da Santa Casa. Com duração de três anos, o acordo poderia chegar a R$ 5,4 milhões.

Conforme o MPMS, no primeiro ano de execução foram identificados pagamentos elevados sem que os serviços contratados fossem efetivamente prestados. O prejuízo estimado nessa frente da investigação chega a R$ 1,4 milhão.

As apurações também avançaram sobre contratos firmados pela Operadora Santa Casa Saúde, empresa controlada pela Associação Beneficente Santa Casa de Campo Grande, com outras empresas do mesmo grupo econômico.

Segundo o Ministério Público, essas empresas tinham como proprietário uma pessoa ligada à diretoria da Santa Casa e estavam registradas no mesmo endereço, que, na prática, estaria desocupado.

Somente em 2025, aproximadamente R$ 9,6 milhões foram pagos pela operadora a essas empresas, segundo a investigação. O MPMS aponta que os contratos teriam provocado um prejuízo de pelo menos R$ 3,5 milhões.

Os dois casos já identificados somam mais de R$ 4,9 milhões em prejuízos à Santa Casa. O valor, porém, ainda pode aumentar, já que a investigação continua.

O MPMS também afirma que contratos, pagamentos e prestações de contas eram sistematicamente omitidos de órgãos de controle, incluindo o Conselho Fiscal da Santa Casa e a Controladoria-Geral do Estado.

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