Moraes fez edições em um contrato de R$ 131 milhões entre o escritório de sua esposa, Viviane Barci de Moraes, e o Banco Master, antes de o documento ser assinado. As informações constam em análise da Polícia Federal sobre metadados de documento do contrato que estava no celular do ex-banqueiro. A investigação foi divulgada pelo jornal O Estado de S. Paulo e confirmada pela Folha de S.Paulo.
“Moraes era de fato o advogado do Vorcaro, né? […] Acho que o Alexandre de Moraes tinha que renunciar ao Supremo Tribunal Federal. Não tem a menor condição de ele continuar sendo ministro do Supremo”, disse Flávio.
Além disso, segundo o jornal O Estado de S. Paulo, Vorcaro perguntou a Moraes se deveria deixar o país dois dias antes de ser preso pela Polícia Federal.
O presidenciável do PL já se posicionou a favor do impeachment de Moraes, considerado um inimigo do bolsonarismo por ser o relator das ações da trama golpista, que culminaram na condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL).
Como mostrou a Folha de S.Paulo, Flávio lançou 47 nomes para o Senado, sendo que a maioria é abertamente a favor de condenar ministros do STF à perda do cargo.
Também nesta terça, o ministro André Mendonça, do STF, pediu que a PGR (Procuradoria-Geral da República) se manifeste sobre um documento da PF no qual há mensagens em que Vorcaro pede a um interlocutor a atuação de “Andrei e Paulo” a seu favor. As referências seriam a Andrei Rodrigues, diretor-geral da Polícia Federal, e Paulo Gonet, o procurador-geral da República.
A pessoa para quem tinha sido enviada essa mensagem não havia sido identificada inicialmente, mas a PF aponta suspeita de que o interlocutor seja Alexandre de Moraes. A informação foi divulgada inicialmente pelo site Metrópoles e confirmada pela Folha de S.Paulo.
“Se ele [Moraes] edita os contratos da esposa, que estava ali oficialmente sendo contratada, se parece que tem alguma forma de ajudar o Vorcaro a dar garantia de que a Polícia Federal não atue em determinado momento ou que o procurador-geral da República se posicione a favor do Vorcaro por influência de Alexandre de Moraes… Então, são muitas acusações graves”, disse Flávio.
“Se ele não esclarecer e se comprovar essas suspeitas […], ele não tem a menor condição de continuar sendo ministro”, completou.
Flávio afirmou que é preciso “aguardar o andamento das investigações” e que Gonet e Andrei também devem explicações.
O candidato do Novo à Presidência, Romeu Zema, também se manifestou em suas redes sociais. O ex-governador de Minas Gerais chamou o ministro de “projetinho de ditador”, disse que Moraes nunca o enganou e defendeu a prisão do magistrado.
“É por isso que ainda como governador de Minas protocolei o pedido de impeachment do Alexandre de Moraes. Impeachment é pouco. Ele merece é cadeia. Chega de intocável enriquecendo às custas do povo. Prisão pra ele e que devolva todo o dinheiro”, disse.
Ainda nesta terça, Flávio foi questionado a respeito de novos repasses de Vorcaro ao filme Dark Horse, revelados pela revista piauí, e voltou a se recusar a responder, terceirizando novamente a prestação de contas para a produtora do filme, a Go Up Entertainment.
“Essas informações eu não tenho como saber porque eu não trato disso. Tem que perguntar para a produtora. Desculpa”, disse.
Foi o senador, no entanto, que negociou com Vorcaro os repasses para o filme por meio de mensagens trocadas com o ex-banqueiro. Questionado sobre o fato de ter tratado pessoalmente do financiamento, ele insistiu que qualquer esclarecimento sobre esse assunto caberia somente à produtora do filme.
“Não adianta vocês ficarem me perguntando coisas que eu não tenho como responder”, disse.
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