Nova etapa da Operação Sem Desconto, deflagrada pela Polícia Federal nesta terça-feira (4), mira uma suposta estrutura de lavagem de dinheiro ligada ao esquema de descontos ilegais em benefícios do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). A investigação busca rastrear a origem e o destino dos recursos, identificar beneficiários e esclarecer a participação de cada investigado em um caso que pode ter causado prejuízos de até R$ 6,3 bilhões a aposentados e pensionistas.
A ação cumpre 18 mandados de busca e apreensão expedidos pelo Supremo Tribunal Federal (STF) no Distrito Federal e no Maranhão. Entre os alvos estão familiares do senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o advogado Willer Tomaz. O parlamentar não foi alvo das buscas desta fase, mas segue sendo investigado no âmbito da operação.
Segundo a Polícia Federal, as apurações mais recentes começaram após a identificação de indícios de movimentações financeiras e patrimoniais que teriam sido realizadas por meio de:
- Pessoas físicas e jurídicas;
- Contas bancárias de terceiros;
- Estruturas empresariais;
- Operações com valores em espécie.
Esquema organizado para supostamente ocultar a origem e a destinação dos recursos investigados.
PF investiga rombo no INSS
De acordo com os investigadores, o objetivo desta nova fase é aprofundar o rastreamento do fluxo financeiro ligado ao esquema, esclarecer a finalidade dos repasses realizados e individualizar a conduta dos suspeitos.
A PF afirma que a investigação busca identificar quem recebeu os recursos, qual era a finalidade das transferências e de que forma os valores foram movimentados ao longo do período analisado.
As suspeitas constam em uma decisão do ministro André Mendonça, do STF, que autorizou o avanço das medidas investigativas.

Conforme a Polícia Federal, a investigação aponta para uma estrutura que teria sido utilizada para dar suporte financeiro, patrimonial e logístico aos beneficiários dos recursos sob suspeita.
Os investigadores sustentam que empresas, imóveis, aeronaves, operadores financeiros e contas de terceiros podem ter sido utilizados para movimentar patrimônio e dificultar o rastreamento do dinheiro.
A PF também aponta que as movimentações investigadas teriam sido realizadas por meio de diferentes pessoas e empresas, o que pode indicar uma tentativa de ocultação dos recursos.
Entenda a Operação Sem Desconto
A Operação Sem Desconto foi deflagrada após investigações revelarem um suposto esquema de descontos indevidos em aposentadorias e pensões do INSS entre 2019 e 2024.
Segundo a Polícia Federal, entidades teriam realizado cobranças sem autorização de beneficiários, descontando valores diretamente dos pagamentos recebidos por aposentados e pensionistas. As estimativas apontam que os prejuízos investigados podem alcançar R$ 6,3 bilhões.

Desde então, a operação passou a investigar não apenas a origem das fraudes, mas também a possível movimentação e ocultação dos recursos obtidos por meio do esquema.
O que dizem os citados
Em nota, o senador Weverton Rocha afirmou que todas as movimentações mencionadas decorrem de atividades profissionais e empresariais regulares.
Já a defesa do advogado Willer Tomaz informou que a esposa do senador trabalha em seu escritório de advocacia e declarou confiar no esclarecimento dos fatos, sustentando que sua conduta não possui relação com o objeto investigado pela operação.
As investigações continuam. Até o momento, não há condenações relacionadas aos fatos apurados nesta nova fase da Operação Sem Desconto.
Com informações do G1.

