Um incêndio de grandes proporções atingiu, na noite desta quarta-feira (7), um prédio da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), na Cidade Universitária, na Zona Oeste do Recife. As chamas alcançaram a sede da Diretoria de Inovação e Empreendedorismo (Dine), onde funcionavam laboratórios ligados às áreas de fármacos, informática e genética.
O Corpo de Bombeiros mobilizou cinco viaturas para combater o fogo. As chamas foram controladas durante a madrugada e não houve registro de feridos. A universidade informou que o incêndio provocou grandes danos à estrutura e ao material armazenado no local.
O prédio abrigava equipamentos, amostras e materiais utilizados em pesquisas acadêmicas. Entre os trabalhos desenvolvidos estavam estudos relacionados a câncer, obesidade, Covid-19, TDAH, autismo e outras áreas. Segundo o reitor Alfredo Gomes, parte significativa desses materiais foi destruída, incluindo equipamentos, dados e trabalhos acadêmicos.
A estimativa inicial apresentada pelo reitor é de que os equipamentos existentes no edifício representassem aproximadamente R$ 100 milhões. O valor ainda deverá ser detalhado pela universidade durante o levantamento dos prejuízos.
Pesquisas de anos foram afetadas
Além dos equipamentos, o incêndio atingiu materiais produzidos por estudantes e pesquisadores em diferentes etapas da formação acadêmica, incluindo projetos de iniciação científica, mestrado, doutorado e pós-doutorado.
A UFPE informou que ainda vai avaliar a extensão completa das perdas. O reitor esteve no local e acompanhou o trabalho dos bombeiros. A instituição também manifestou solidariedade aos pesquisadores, professores e estudantes que tiveram trabalhos afetados.
O tipo de material armazenado nos laboratórios contribuiu para a rápida propagação das chamas, segundo informações divulgadas pela universidade.
Causa ainda é investigada
Até o momento, não foi determinada a causa do incêndio. As autoridades deverão analisar as condições do prédio e as circunstâncias que levaram ao início das chamas.
Relatos sobre supostas ameaças feitas a estudantes antes do incêndio também passaram a ser mencionados publicamente, mas não há confirmação de que essas mensagens tenham relação com o fogo. A universidade ainda não apontou uma causa para a ocorrência.
O ministro da Educação, Leonardo Barchini, manifestou solidariedade à comunidade acadêmica e informou que o Ministério da Educação acompanha as investigações. O advogado-geral da União, Jorge Messias, também determinou o acompanhamento das apurações pela Procuradoria-Geral Federal.
Terceiro incêndio em poucos dias
O episódio desta quarta-feira ocorreu poucos dias depois de outro incêndio registrado na universidade. No domingo (4), o fogo atingiu o Laboratório de Citogenética e Evolução Vegetal, no Centro de Biociências. Não houve vítimas.
Em 30 de setembro, um laboratório do Departamento de Física também havia registrado um incêndio. Na ocasião, a universidade informou que a suspeita inicial era de que as chamas tivessem começado em um forno de alta temperatura utilizado no laboratório.
Com o novo episódio, a UFPE passou a contabilizar três ocorrências de incêndio em pouco mais de uma semana. Apesar dos casos, a universidade informou que suas atividades acadêmicas permanecem normalmente, enquanto o prédio atingido permanece isolado para avaliação dos danos e investigação das causas.

