O Cemtec (Centro de Monitoramento do Tempo e do Clima de Mato Grosso do Sul) prevê um cenário de alerta meteorológico caracterizado por chuvas irregulares, temperaturas próximas ou acima da média e 92% de probabilidade de El Niño para o trimestre de junho, julho e agosto de 2026 em Mato Grosso do Sul.
O boletim elaborado em conjunto com a Semadesc (Secretaria de Estado de Meio Ambiente, Desenvolvimento, Ciência, Tecnologia e Inovação) utiliza dados probabilísticos do modelo europeu Météo-France. A análise confirma a alta probabilidade de desenvolvimento do El Niño no inverno, com forte tendência de intensificação do fenômeno ao longo do segundo semestre. As projeções indicam que o sistema climático passará a atuar nas categorias moderada a forte entre a primavera e o início do verão.
O aquecimento oceânico eleva diretamente o risco de ondas de calor frequentes e períodos prolongados de altas temperaturas no estado. Climatologicamente, os termômetros registram marcas entre 18°C e 22°C na maior parte dos municípios durante o trimestre. Os índices variam de 16°C a 18°C na região extremo sul e atingem de 22°C a 24°C no extremo noroeste. A atual projeção sugere condições mais quentes que o padrão histórico, propiciadas por dias com menor nebulosidade e forte incidência de radiação solar.
O regime pluviométrico também apresenta mudanças, com previsão de distribuição irregular das precipitações. A normal climatológica, baseada no período de 1981 a 2010, estabelece volumes de chuva entre 75 e 200 milímetros para a maioria das regiões sul-mato-grossenses. O extremo sul costuma acumular de 200 a 300 milímetros, enquanto as áreas nordeste, norte e noroeste registram os menores volumes, flutuando entre 25 e 50 milímetros.
O cenário exige monitoramento contínuo das condições meteorológicas devido aos impactos gerados em setores essenciais. As alterações afetam a agropecuária, a gestão de recursos hídricos, o sistema energético e a saúde pública. As respostas climáticas efetivas no território estadual dependerão da interação do El Niño com outros sistemas atmosféricos de grande escala e regionais, uma característica marcante da zona de transição climática em que a região está situada.

