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Mãe acusa transfobia em execução de casal no Taquarussu: ‘matou meu filho porque era gay’ (vídeo)

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A morte de um casal na madrugada desta sexta-feira (5), na Vila Taquarussu, em Campo Grande, está cercada por versões conflitantes. De um lado, familiares de Nathalia dos Anjos Molina, de 33 anos, afirmam que o crime foi motivado por transfobia. Do outro, o suspeito preso em flagrante sustenta que atirou para defender a esposa durante suposta agressão.

As vítimas foram identificadas como Nathalia dos Anjos Molina, mulher trans conhecida pelo nome civil Thierre, e Ademar Spacino Júnior, de 38 anos. Ambos morreram após serem atingidos por disparos de arma de fogo.

Abalada, a mãe de Nathalia afirmou que não tem dúvidas sobre a motivação do crime. Segundo ela, o vizinho já havia ameaçado o casal anteriormente e nutria preconceito contra pessoas LGBTQIA+.

“Ele matou meu filho porque ele era gay”, afirmou a mãe, que também relatou que o suspeito teria jurado matar Nathalia em outras ocasiões.

Ela disse ainda que pretende lutar para que o autor seja condenado e defende que a esposa dele também seja responsabilizada por suposta participação no caso.

Familiares e amigos reforçam a versão de que o suspeito já era conhecido por provocar conflitos na vizinhança. Uma prima de Nathalia contou que o homem era “problemático” e acumulava desavenças com diversos moradores da região. Segundo ela, a fama de arrumar confusões existia antes mesmo da chegada do casal à vila onde ocorreu o crime.

Moradores também descreveram Nathalia como uma pessoa educada, trabalhadora e querida pelos vizinhos. Uma vizinha relatou que a via frequentemente passeando com seus cachorros e que ela sempre cumprimentava todos com simpatia. Outra travesti que mora na região afirmou que Nathalia ajudava a mãe no trabalho com um bar e venda de salgados e que não merecia “morrer dessa forma”.

Já o pai do suspeito apresentou uma versão diferente. Ele afirmou que o crime não teve motivação homofóbica ou transfóbica, mas seria resultado de desentendimentos antigos entre os vizinhos.

Segundo o relato dele, havia um histórico de conflitos e registros policiais envolvendo as partes. O homem disse ainda que aconselhava o filho a deixar o local e buscar ajuda para evitar que a situação terminasse em tragédia. Conforme o pai, a própria igreja frequentada pela família realizava uma campanha de oração para tentar apaziguar os ânimos entre o suspeito e as vítimas.

De acordo com a versão apresentada pelo pai, a confusão começou quando Nathalia e Ademar teriam tentado agredir a esposa do suspeito com um pedaço de madeira. Após a discussão, o homem entrou em casa, pegou uma arma e efetuou os disparos contra o casal.

Versão apresentada à Polícia Civil

O relato prestado à Polícia Civil segue a mesma linha da defesa apresentada pela família do suspeito.

Conforme o boletim de ocorrência, a esposa do autor afirmou que o casal de vítimas passou a noite consumindo bebida alcoólica e drogas e que já existia um histórico de ameaças, inclusive com um boletim registrado em março deste ano. Ela relatou que, ao sair para trabalhar por volta das 5h30, teria sido abordada de forma agressiva pelas vítimas. Segundo a mulher, Nathalia delas tentou golpeá-la com um pedaço de madeira, enquanto Ademar teria ameaçado buscar uma faca para matá-la.

O suspeito, identificado como Deivison, contou aos policiais que saiu para defender a esposa e que Nathalia teria tentado agredi-la com o pedaço de madeira. Ele afirmou que efetuou disparos contra a vítima e, em seguida, atirou contra Ademar após vê-lo com uma faca nas mãos. Depois do crime, fugiu do local e foi localizado na casa da sogra.

No entanto, elementos colhidos pela perícia poderão ser decisivos para esclarecer a dinâmica dos fatos. Segundo o registro policial, Nathalia apresentava três perfurações de entrada nas costas, enquanto Ademar foi atingido por dois disparos na região do tórax. Um revólver e munições foram apreendidos na residência do suspeito.

O caso foi registrado como homicídio simples, ameaça e posse irregular de arma de fogo de uso permitido. A Polícia Civil investiga as circunstâncias do duplo homicídio e deverá apurar se houve motivação transfóbica, como sustentam familiares das vítimas, ou se o crime ocorreu após a sequência de ameaças e conflitos narrada pelos investigados.

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