A Secretaria de Meio Ambiente de Mato Grosso (Sema-MT) aprovou um plano de prevenção e preparação contra incêndios florestais para o Parque Estadual Encontro das Águas, conhecido como refúgio de onças-pintadas no Pantanal. O Plano de Manejo Integrado do Fogo foi oficializado em uma portaria publicada no Diário Oficial do Estado desta segunda-feira (10).
A medida terá vigência até 2030 e chega seis anos depois de o fogo atingir mais de 85% da unidade de conservação, localizada entre Poconé e Barão de Melgaço (MT).
O plano será utilizado como instrumento técnico para organizar ações de prevenção, preparação, resposta e recuperação diante dos incêndios florestais entre 2026 e 2030. Entre as medidas estão queimas prescritas, implantação de aceiros, monitoramento de áreas críticas, capacitação de brigadistas e protocolos de atendimento à fauna atingida pelo fogo.
Plano contra incêndios prevê queimas prescritas
Uma das principais estratégias será o uso da queima prescrita, técnica que utiliza o fogo de maneira planejada e controlada para reduzir o acúmulo de vegetação seca e evitar incêndios de grandes proporções.
O documento divulgado pela Sema nesta quinta-feira (13), delimita 39.701,73 hectares que poderão receber esse tipo de manejo de maneira gradual e alternada. Desse total, 8.018,27 hectares foram classificados como prioritários por apresentarem alta conexão com ambientes sensíveis e funcionarem como corredores de propagação das chamas.
A definição dessa área não significa que todo o território será queimado ao mesmo tempo. As intervenções deverão seguir metas anuais e considerar as condições meteorológicas, a disponibilidade de equipes especializadas e as dificuldades de acesso provocadas pelo regime de cheias e vazantes do Pantanal.
Plano contra incêndios prevê queimas prescritas
A técnica utiliza o fogo de maneira planejada e controlada para reduzir a vegetação seca e evitar incêndios de grandes proporções.
O fogo controlado reduz o material que poderia alimentar um incêndio durante a seca.
O material acumulado facilita a propagação das chamas.
Equipes especializadas aplicam o fogo sob condições planejadas.
A redução da vegetação seca diminui o risco de grandes incêndios.
Monitoramento antes e depois da queima
Avaliação contínua dos efeitos ambientais
Execução por equipes especializadas
Intervalo mínimo de dois anos no mesmo local
Período preferencial Abril a junho
Jan Fev Mar Abr Mai Jun
A janela antecede o período mais intenso da seca no Pantanal.
Também estão previstos o monitoramento antes e depois das queimadas e a avaliação contínua dos efeitos sobre o ambiente. A janela preferencial para a aplicação da técnica vai de abril a junho, antes do período mais intenso da seca.
O plano determina ainda que as queimadas prescritas não sejam repetidas no mesmo local em intervalos inferiores a dois anos.
Parque terá rede de aceiros permanentes
Outra medida prevista é a implantação gradual de 232,63 quilômetros de aceiros permanentes em pontos estratégicos. Essas faixas, nas quais a vegetação é retirada ou reduzida, ajudam a interromper o material combustível e dificultam o avanço das chamas.
Os aceiros também deverão servir como vias de acesso para brigadistas, veículos e equipamentos durante o combate, além de funcionar como pontos de apoio para o monitoramento de áreas críticas.
Parque terá rede de aceiros permanentes
Faixas com retirada ou redução da vegetação serão implantadas para dificultar o avanço das chamas e facilitar a chegada das equipes.
A rede será instalada gradualmente em áreas com histórico de incêndios, corredores de propagação e pontos estratégicos nos limites do Parque Estadual Encontro das Águas.
Como o aceiro ajuda?
A faixa sem vegetação interrompe a continuidade do material que alimenta o incêndio.
Avanço do fogo Barreira Vegetação
de aceiros permanentes serão distribuídos em pontos estratégicos do parque.
do perímetro da unidade deverá ficar protegido pela estrutura.
Além de conter as chamas, os aceiros serão usados para:
Servirão como vias de acesso para brigadistas e veículos.
Facilitarão a chegada de materiais aos pontos críticos.
Permitirão rondas e identificação rápida de novos focos.
Funcionarão como linhas seguras para controlar o incêndio.
Março a maio Avaliação das condições de estradas e aceiros.
Abril a julho Manutenção das principais vias de acesso.
A rede foi planejada para proteger locais com histórico recorrente de incêndios, corredores naturais de propagação, áreas com maior continuidade de vegetação e os limites do parque. A meta é deixar 70% do perímetro da unidade protegido por aceiros.
O cronograma também prevê a avaliação das condições de estradas e aceiros entre março e maio, seguida pela manutenção das principais vias de acesso entre abril e julho. Propriedades rurais deverão ser notificadas para realizar a manutenção de estruturas sob a responsabilidade delas.
Câmeras e rondas reforçarão monitoramento
O acompanhamento das áreas com maior risco será feito por câmeras, sistemas de detecção de focos de calor, rondas terrestres e patrulhamento fluvial.
Os alertas serão encaminhados às salas de situação do Corpo de Bombeiros, que deverão verificar as informações e acionar a equipe mais próxima para o primeiro combate. O planejamento inclui a comunicação integrada entre as equipes do parque, brigadistas e bombeiros.
Câmeras e rondas reforçarão monitoramento
Áreas com maior risco serão acompanhadas para permitir a detecção precoce de focos e acelerar o primeiro combate.
O plano combina câmeras, sistemas de detecção de focos de calor, rondas terrestres e patrulhamento fluvial no Parque Estadual Encontro das Águas.
Monitoramento de áreas críticas Sistema ativo
Foco detectado
Câmeras Observação contínua de áreas estratégicas
Focos de calor Alertas para identificar possíveis incêndios
Rondas terrestres Verificação em campo e primeiro atendimento
Patrulhamento fluvial Deslocamento e vigilância pelos rios
O que acontece após um alerta?
A informação é verificada antes do acionamento da equipe mais próxima.
Câmeras, sensores ou rondas detectam o possível incêndio.
A sala de situação confirma a ocorrência e avalia o risco.
O grupo mais próximo é enviado para o primeiro combate.
Preparação das equipes
Brigadistas e bombeiros passarão por capacitação.
Materiais de prevenção e combate serão verificados.
Veículos e embarcações deverão passar por revisão.
Parque, brigadistas e bombeiros compartilharão informações.
Também estão previstos treinamentos, testes de equipamentos, manutenção de veículos e embarcações e aquisição de materiais para prevenção e combate aos incêndios.
Em ocorrências de maior gravidade, o plano permite mobilizar equipes especializadas, aeronaves e máquinas pesadas. A estrutura de resposta será definida conforme a dimensão e a complexidade de cada incêndio.
Fauna atingida terá protocolo de resgate
O plano incorpora medidas específicas para atender animais silvestres afetados pelo fogo. Em situações de emergência, poderão ser mobilizadas equipes formadas por bombeiros, veterinários e biólogos.
O protocolo prevê resgate, contenção, transporte, primeiros socorros e triagem clínica. Conforme o estado de saúde, os animais poderão ser encaminhados para centros de atendimento e reabilitação ou devolvidos à natureza.
Fauna atingida terá protocolo de resgate
Animais afetados pelos incêndios poderão receber resgate, primeiros socorros, avaliação clínica e encaminhamento adequado.
O plano prevê a mobilização de profissionais especializados para atender animais silvestres feridos ou ameaçados pelo fogo no Parque Estadual Encontro das Águas.
Bombeiros
Veterinários
Biólogos
Como será o atendimento?
O protocolo organiza o trabalho desde a localização do animal até a definição do destino.
A equipe identifica animais feridos ou em situação de risco.
O animal é contido e transportado por profissionais.
Veterinários avaliam os ferimentos e prestam atendimento.
A condição de saúde define o encaminhamento do animal.
Depois da avaliação, há dois caminhos:
O animal poderá ser encaminhado para uma unidade especializada até ter condições de retornar à natureza.
Quando houver segurança e avaliação favorável, a soltura poderá ser realizada.
As ocorrências envolvendo a fauna também deverão ser registradas. Os dados poderão auxiliar no levantamento dos impactos dos incêndios e subsidiar perícias e investigações em casos de negligência ou crime ambiental.
Comunidades receberão orientação contra incêndios
As ações de prevenção incluem palestras, cursos, campanhas educativas, oficinas e demonstrações práticas para moradores, estudantes, guias turísticos, produtores e trabalhadores rurais de Poconé e Barão de Melgaço.
As atividades deverão abordar prevenção e combate aos incêndios, manejo integrado do fogo e alternativas sustentáveis para as atividades rurais. O plano prevê ainda ações em escolas, propriedades e na Estrada Parque Transpantaneira.
O documento completo ficará disponível para consulta pública no site da Sema. O plano poderá passar por revisões até 2030, desde que as alterações sejam autorizadas pela secretaria e sigam as normas ambientais.
A aprovação considera a Política Nacional de Manejo Integrado do Fogo, instituída em 2024, além das regras sobre prevenção e preparação para incêndios florestais.
Incêndios devastaram o maior refúgio de onças do mundo em 2020
Criado em 2004, o Parque Estadual Encontro das Águas possui 108.960 hectares distribuídos entre Poconé e Barão de Melgaço. A unidade é conhecida por concentrar uma das maiores populações de onças-pintadas por quilômetro quadrado do planeta.

Em 2020, o parque se tornou um dos retratos da destruição provocada pelos incêndios no Pantanal. Uma análise do Instituto Centro de Vida (ICV) apontou que cerca de 92 mil hectares da unidade foram queimados, o equivalente a mais de 85% da área protegida.
Naquele ano, a proporção dos incêndios levou o governo federal a reconhecer situação de emergência em Mato Grosso.
O combate às chamas no parque é dificultado pelo acesso exclusivamente fluvial. Brigadistas, água e equipamentos precisam ser transportados de barco, o que torna o deslocamento até as áreas atingidas mais demorado e complexo.

