A moeda do Irã atingiu o menor valor já registrado no mercado paralelo nesta quarta-feira (29), em meio à guerra contra Estados Unidos e Israel, que teve início em 28 de fevereiro com ataques coordenados entre Washington e Tel Aviv em Teerã. O rial foi negociado a 1,81 milhão por dólar, segundo a Agência de Notícias dos Estudantes Iranianos (ISNA), evidenciando a intensificação da crise cambial no país.
A desvalorização ganhou força ao longo da semana. Nos primeiros dias, a moeda americana era negociada em torno de 1,54 milhão de riais, e há cerca de um ano, a cotação girava em torno de 811 mil por dólar. Nos últimos dois dias, o rial perdeu quase 15% do valor, com cotações variando entre 1,76 milhão e 1,81 milhão por dólar.
A queda recente foi acelerada pelo bloqueio no Estreito de Ormuz, em meio à escalada militar no Oriente Médio. A restrição ao tráfego marítimo limita a entrada de moeda estrangeira, especialmente dólares, e afeta diretamente as exportações iranianas, com impacto mais forte sobre o petróleo, principal fonte de receita externa do país.
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Protestos iranianos impulsionados pela economia
A fragilidade da moeda não é recente. Em 2025, o rial já havia perdido cerca de 70% do valor frente ao dólar, cenário que provocou protestos no país, que ti. Comerciantes relatam dificuldades para lidar com a volatilidade cambial, que encarece importações e compromete o funcionamento da economia.
Protestos que tiveram seu ponto alto em janeiro deste ano, foram um ponto de tensão entre Teerã e Washington e espalharam por diversas cidades do país persa, levando milhares de pessoas às ruas. Vídeos divulgados nas redes sociais registraram cenas de confrontos, carros incendiados e manifestantes entoando palavras de ordem contra o governo.
Segundo a agência de notícias Human Rights Activists News Agency (HRANA), pelo menos 5.858 manifestantes foram mortos durante os protestos, e mais de 42 mil foram presas. Ainda, desde o fim dos protestos, o governo iraniano executou sete pessoas ligadas aos atos.


