Ele afirmou que as canetas “podem ter um papel muito importante” para pacientes que estão na fila de cirurgia bariátrica ou que apresentam problemas cardiovasculares. Também mencionou a possibilidade de ofertá-las às mulheres que tratam o câncer de mama -há estudos sobre possíveis efeitos benéficos dos produtos no combate a alguns tumores.
As canetas ainda não estão incorporadas de forma ampla ao SUS. Há experiências voltadas a poucos pacientes no município do Rio de Janeiro, além de protocolos envolvendo as gestões estaduais do Rio e Goiás e do Distrito Federal.
Padilha tratou da oferta das canetas durante um evento promovido pelo canal Amado Mundo com representantes das campanhas a presidente sobre propostas para o setor até 2030.
O ministro da Saúde de Lula (PT) disse que, nos próximos anos, as drogas voltadas ao tratamento do diabetes e obesidade estarão no SUS, mas não estimou um prazo para concretizar a entrega dos medicamentos.
Padilha disse que as canetas serão “definitivamente incorporadas no sistema de saúde, em protocolos específicos sobre o que cabe a elas fazer, não vendo essas canetas como ferramentas ou milagres estéticos, mas como medicamentos, que têm que ser tratados dessa forma, que podem ter um papel muito importante”.
O Ministério da Saúde também promove um estudo em unidade do GHC (Grupo Hospitalar Conceição), em Porto Alegre, com cerca de 250 pacientes com obesidade grave ou associada a outras doenças e com indicação para cirurgia bariátrica. Padilha afirmou que se trata do “principal protocolo” em análise.
As chamadas canetas emagrecedoras são medicamentos agonistas de GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo corpo humano que atua no controle dos níveis de glicose no sangue e nos mecanismos de saciedade. As principais marcas no mercado são compostas por semaglutida (Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk, além de marcas nacionais, como Ozivy, da EMS) e tirzepatida (Mounjaro, da Eli Lilly), que também atua no receptor do hormônio GIP.
Existe forte pressão de consumidores, de parte da indústria e do mundo político para ampliar a oferta e baixar custos dos emagrecedores. O aumento do consumo para fins estéticos ou fora da bula, além da popularização de versões manipuladas e de medicamentos trazidos do Paraguai, porém, são pontos que preocupam associações e sociedades médicas.
A Novo Nordisk renovou neste ano pedido para a Conitec (Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias) de levar para a rede pública o Wegovy, medicamento contendo semaglutida. A proposta da farmacêutica é atender pacientes com obesidade que já sofreram infarto. Na análise anterior feita em 2025, destinada a público mais amplo, a comissão negou a incorporação ao apontar impacto de até R$ 8 bilhões aos cofres públicos.
Agora, a empresa estima que 38.598 pacientes poderiam receber o tratamento, se a nova proposta for aprovada pela Conitec, ao custo de R$ 500 milhões a R$ 650 milhões por ano.
No ano passado, a disputa pelo mercado dos emagrecedores ganhou novo rumo com atuação direta do governo Lula (PT). A Anvisa atendeu a um pedido do Ministério da Saúde e passou na frente da sua fila de análise 20 pedidos de emagrecedores contendo liraglutida ou semaglutida.
Em maio, a Anvisa aprovou a primeira caneta contendo semaglutida e fabricada por indústria nacional, a Ozivy, da EMS. Desde então, aprovou uma série de outras versões do produto, incluindo dois genéricos -que são ao menos 35% mais baratos que o produto de referência.
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